Professores e alunos apontam despreparo de bacharéis
Vozes da área do Direito opinam que ensino ruim, falta de base e excesso de vagas levaram ao mau resultado no exame da OAB
Francisco Francerle // franciscofrancerle.rn@diariosassociados.com.br
Falta de vocação, descompromisso e despreparo dos alunos; fragilidade dos processos seletivos; e necessidade de bibliotecas mais estruturadas. Esses são os principais motivos apontados por professores e estudantes de Direito para o fraco desempenho alcançado pelos novos bacharéis na primeira fase do exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no Rio Grande do Norte neste ano. Ao todo, 80,5% dos candidatos foram reprovados no exame e apenas 19,5% prestarão a segunda fase. É o pior desempenho obtido pelo estado nos últimos anos.
Coordenador do curso da UFRN, Jair Elói de Souza destaca que grande parte dos alunos ingressa na faculdade sem uma boa base de aprendizado e que não se pode corrigir deficiência na graduação Foto:
De acordo com o coordenador do curso de Direito da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) - que obteve as melhores notas no exame - Jair Elói de Souza, o sucesso de uma boa formação começa com um processo seletivo acurado. "O que acontece é que muitos alunos ingressam na universidade sem uma boa base dos ensinos fundamental e médio e não se pode corrigir uma deficiência em pleno exercício do curso de graduação. Mas a vocação é essencial em todo esse processo. Ela é o norte que vai impulsionar a vontade no aluno", enfatiza Jair Elói, defendendo inclusive a preparação do aluno com atividades extra-curriculares que extrapolem a sala de aula e provoquem o dia a dia de um profissional do direito.
Ele cita algumas atividades desenvolvidas por alunos da UFRN, como a revista Jurídica In Verbis, de circulação nacional; a Simulação de Organização Internacional, que simula em inglês reuniões da ONU; a Simulação de Tribunais Constitucionais; e a prática jurídica, que possibilita o acesso de pessoas carentes à Justiça, tanto realizando ajuizamento de ações, quanto orientando juridicamente nas mais diversas situações.
Já na opinião do professor e coordenador do curso de Direito da Faculdade Natalense para o Desenvolvimento do Rio Grande do Norte (Farn), que obteve o melhor índice no exame entre as particulares, Wober Cunha Lima, os cursos devem evitar o excesso de alunos por turma, ter um projeto pedagógico moderno, garantir a qualidade do quadro docente e manter bibliotecas mais estruturadas. O coordenador acha que se os estudantes tivessem um melhor preparo durante todos os períodos da faculdade não teriam tanta dificuldade no exame da OAB, que aborda todo o conteúdo do curso.
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Edição de sexta-feira, 29 de maio de 2009
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