A contaminação da água de Natal por nitrato já atinge toda a população da capital potiguar. E mais: pelo menos as próximas duas gerações estão condenadas a consumir água impura. A alta concentração da substância - obtida na decomposição das fezes - nos poços que abastecem a cidade provocou uma série de medidas, algumas inéditas no país, como a redução no valor da conta de água, que, pelo que afirma o geólogo Reinaldo Petta, não vai exterminar o problema. Mesmo assim, a Companhia de Águas e Esgotos do Estado (Caern) segue com um trabalho cujo foco é normalizar o nível de nitrato por cada litro de água que chega até as casas dos natalenses.
Construção da adutora do Jiqui, que terá 14 km de extensão, vai contribuir para a diluição da água contaminada Foto: Geandson Oliveira/DN/D.A Press
A Organização Mundial de Saúde define que, se a água apresentar concentração de nitrato acima de 10mg/l deixa de ser potável. A água é considerada potável quando é própria para o consumo sem apresentar risco à saúde humana. Em Natal, alguns poços chegam a apresentar mais de 30mg/l. "O problema do nitrato nas águas de Natal é antigo. Tem mais de 15 anos. O que chama a atenção é o nível de contaminação, muito superior ao de cidades como João Pessoa, Fortaleza e Recife, que sofrem com o mesmo problema", alertou Reinaldo Petta.
Para reverter esse quadro, a Caern desativou 26 poços de abastecimento de água nos últimos anos. "Por meio do monitoramento, a empresa detecta os pontos específicos onde o nitrato tem índices acima de 10 mg/l, informando aos consumidores através das contas mensais de água e esgotos. Nas contas constam os índices de cloro residual, coliformes totais, nitratos, P.H e turbidez, bem como os valores mínimos e máximos, de acordo com a portaria do Ministério da Saúde", destacou a assessoria de imprensa da companhia.
Cumulativo
O problema, como aponta Petta, é que o nitrato presente nos poços de Natal vai durar para sempre. "É cumulativo", diz. A solução encontrada pela Caern, para garantir a distribuição de água potável para a população de Natal, é a diluição do produto captado em alguns poços.
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