Economia Edição de sexta-feira, 29 de maio de 2009
Nolem para de produzir melão
Maior produtora do país, empresa nega que tenha fechado, mas nesta safra não plantará
Louise Aguiar Especial para o Diário de Natal
Mesmo que quisessem, os proprietários da Nolem não poderiam mais desmentir o fechamento das portas da empresa. A duas semanas do início da safra 2009/2010, aquela que já foi a maior produtora de melão do país sequer preparou o terreno para a plantação. De acordo com fontes diretamente ligadas ao mercado, a empresa teria fechado por causa de "desafeto entre os sócios" e já teria comprado a produção de outras empresas locais para comercializar no exterior. A Nolem teria também demitido três mil funcionários e estaria funcionando em regime de contingência, com seis empregados trabalhando.
Apesar das demissões, produtoras da fruta em Mossoró comemoram porque preço da fruta deve aumentar Foto: Emidia Felipe/Divulgação
Entretanto, o atual gerente administrativo da Nolem, conhecido apenas como Genivaldo, falou com a reportagem do Diário de Natal por telefone e garantiu que a empresa não fechou, mas não pôde confirmar oficialmente se haverá produção de melão este ano. "Os diretores estão analisando, vendo uma maneira de a empresa se levantar. A Nolem está passando por um momento de estruturação dos negócios", definiu, apenas. Genivaldo alegou desconhecer as demissões em massa e disse que "muitas pessoas" ainda trabalham na sede da Nolem, em Mossoró, e permanecem no aguardo de uma definição da diretoria.
O porta-voz do Comitê Executivo de Fitossanidade (Coex), Francisco Vieira da Costa - que representa a entidade enquanto o presidente, Wilson Galdino, resolve problemas familiares -, disse que ainda não recebeu qualquer comunicado oficial da Nolem sobre o fechamento. Mas garante que eles não vão produzir nesta safra. "Eles demitiram todos os funcionários, só ficaram seis pessoas lá", acrescenta.
De acordo com a fonte ouvida pela reportagem, a Nolem parou e não irá mais produzir melão. A empresa já teria até comprado a produção de fruticultores locais para vender em suas sedes no exterior e cumprir contratos. "Mas eles ainda vão se pronunciar oficialmente sobre isso", emenda o empresário, que não quis se identificar. A fonte ainda acrescenta que os proprietários da Nolem alegaram a crise financeira internacional para o fechamento do negócio, mas ele reconhece que essa não é a razão principal. "Houve 'desafeto' entre os sócios", afirma. As ações da Nolem são divididas da seguinte forma: 60% pertencem ao grupo irlandês Fyffes e o restante à família Gadelha/Rola, do Ceará, antigos donos da Maísa.
Ainda segundo o empresário ouvido pela reportagem, a produção da Nolem representava 60% da exportação de melão do Rio Grande do Norte. Com o fechamento das portas da maior produtora brasileira, os produtores irão se beneficiar. A expectativa é que, com menos melão no mercado, haja um ganho de preço entre 15% e 20% em relação à safra passada. O secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Francisco de Paula Segundo, foi procurado pelo Diário de Natal para comentar o assunto, mas a assessoria de imprensa informou que ele se encontra em Madri (Espanha).
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