Nos últimos três anos a rotina de Maria Rosimery de Moura Oliveira, 27 anos, tem sido procurar um emprego. Diariamente ela telefona para o Sistema Nacional de Emprego (Sine) e vai à Central do Trabalhador (programa do Governo do Estado que visa atender jovens na busca pelo primeiro emprego), no bairro da Cidade da Esperança, na expectativa de que novas vagas tenham sido abertas no mercado de trabalho. Formada em Turismo, em dezembro do ano passado, a piauiense se mudou para Natal há um mês acreditando que a capital potiguar poderia oferecer mais oportunidade de trabalho na área escolhida. No entanto, Rosimery não esperava que a crise econômica fizesse com que as empresas adiassem a oferta de vagas este ano.
Vanessa: período comum de contratação é março, mas crise forçou adiamento Foto: Ana Amaral/DN/D.A Press
De acordo com a gerente da consultoria Talentos e Oportunidades, Vanessa Braga, a demanda de empregos é maior a partir de março. "No início do ano os empresários estão fazendo um balanço, mas começam a contratar ainda no final do primeiro trimestre", explica. Entretanto, devido à crise econômica esse processo foi adiado e só agora está se intensificando. "Estamos tendo cerca de 50% a mais de vagas oferecidas pelas empresas", disse.
Uma prova do que Vanessa falou são os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Em abril, setores como construção civil, comércio e agropecuária tiveram saldo negativo. Apenas serviços e administração pública ficaram com um pequeno saldo positivo. "Até a contratação de estagiários caiu significativamente. Nos primeiros quatro meses de 2008 foram oferecidas 93 vagas, mas no mesmo período deste ano foram apenas 22", declara. Entretanto, nos primeiros dias do mês de maio já foram ofertadas 18 vagas para estágio.
Falta de oportunidades pegou a turismóloga Maria Rosimery desprevenida Foto: Ana Amaral/DN/D.A Press
"É importante não desistir e bater em todas as portas. Essa conversa de somente procurar a empresa que está oferecendo postos de trabalho não é legal" Alcina Holanda - Coordenadora do Sine-RN
Na opinião da subsecretária do Serviço Nacional do Emprego no estado (Sine-RN), Alcina Holanda, a oferta de vagas começa no mês de junho, contudo, 2009 será um ano atípico. "O empresariado não sabe o que vem pela frente, por isso ainda não sabemos como vai ser a abertura de vagas para os próximos meses",declara. Apesar da dúvida, Alcina afirma que é a partir do meio do ano que setores como turismo, imobiliário e agropecuário tendem a crescer e ofertar cerca de 30% mais postos de trabalho. "Esse aumento começa a partir de junho e é gradativo até dezembro devido as férias e ao Carnatal, que geram muitas oportunidades para quem está desempregado", avalia.
Alcina lembra que a persistência é o grande diferencial para quem está desempregado. "É importante não desistir e bater em todas as portas. Essa conversa de somente procurar a empresa que está oferecendo postos de trabalho não é legal. O candidato deve ter consciência que muitas oportunidades podem surgir em uma simples ida a uma determinada empresa", alerta.
Dicas para procurar
- O candidato a um emprego deve ter persistência; - Ficar atento às notícias sobre economia local, nacional e mundial; - Procurar as empresas, mesmo que não estejam ofertando vagas naquele momento; - Levar curriculum atualizado; - Estar antenado com os veículos de comunicação para surgimento de novas vagas; - Ser aberto a mudanças; - Aproveitar o tempo em que está desempregado para se capacitar; - Ler, ver bons filmes e pesquisar sobre área escolhida na internet.
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Atualizado em 23|05|2009
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