Programas e equipamentos misturam universos televisivo e da web e tornam ainda mais fácil a convergência digital
Frederico Bottrel // fredericobottrel.mg@diariosassociados.com.br
Durante o intervalo da novela, já é possível enviar um e-mail, pagar uma conta no site do banco ou dar um alô para os amigos no MSN Messenger: tudo diretamente na TV. Vídeos do YouTube? Também podem estar lá, no lugar mais nobre da sala de visitas. Foi-se o tempo em que, para executar qualquer uma dessas tarefas, era preciso saltar do conforto do sofá para a cadeira diante da tela de um computador sem graça. Em meio à badalada cultura da convergência, as novidades tecnológicas que levam a internet para a televisão são verdadeiro golpe de praticidade: algumas de cair o queixo.
Uma delas é o iBlog TV, que você vê em ação nesta página. Uma pequena caixinha plugada na TV recebe o sinal de internet wi-fi e permite a navegação, por meio de um leve teclado sem fio. Além de e-mail, buscador, site de vídeos e notícias, o brinquedo oferece comunicadores instantâneos para trocar ideias com amigos. É possível também plugar webcam e microfone e fazer uma videoconferência pela TV - exatamente como os Jetsons faziam, no desenho animado futurista dos anos 1960.
Com o fenômeno YouTube, os hábitos dos chamados "telespectadores" sofreram chacoalhada definitiva. A própria prerrogativa do site de vídeos mais visitado do mundo é revolucionária: "Broadcast yourself" ("divulgue a si mesmo", em tradução livre). Assim, os programas e equipamentos que misturam o universo da TV com os contornos da web pululam, em facilidades que levam tanto a internet para o aparelho televisor (como o iBlog) quanto a programação televisiva para o computador. A partir do raciocínio convergente que parece ditar as regras nesse assunto, o difícil é descobrir, em meio a tanta novidade, qual delas realmente vale a pena.
A reportagem mergulhou na mistura, para tirar o caldo que você confere nas nossas páginas centrais. Testamos, além do iBlog, o TVBox Real Angel, que promete levar os sinais de TV analógica para dentro do computador, conectado a monitores LCD ou CRT. A vantagem é que ele não consomememória da máquina e permite a redução da imagem, em um cantinho da tela, para poder ver televisão, enquanto o usuário executa outros trabalhos no PC. Além disso, TVs e tocadores com YouTube integrado e pendrives que levam TV à entrada USB dos computadores estão entre as opções de quem não quer ficar fora dessa.
Susan Boyle
Nas últimas semanas, o vídeo que mostra Susan Boyle, a candidata desempregada, desengonçada, porém talentosa, de um show de talentos da TV britânica, virou superhit no YouTube. De acordo com os cálculos dos tabloides britânicos, já passam de 100 mil visualizações, em todo o mundo. Os canais de televisão de vários países fizeram referência ao dito vídeo de pouco mais de quatro minutos que mostrava a performance - ela deu entrevistas para David Letterman e Oprah Winfrey: entrevistas que também bombaram quando caíram na rede. Outros calouros do tal programa de TV, Britain's got talent, aproveitaram a crista da onda, protagonizando os vídeos mais acessados no YouTube. A instantaneidade do fenômeno, nascido na TV e espalhado pela web, é só o último dos bons exemplos de como as relações entre televisão e internet têm tudo para surpreender cada vez mais.
O Computador vai substituir a televisão?
,Uma pesquisa da Microsoft até fixa uma data: em junho de 2010, os europeus vão gastar mais tempo na internet do que assistindo a televisão. Serão, de acordo com a empresa, 14 horas semanais diante do PC, contra 11 horas vendo TV. "Enquanto hoje a experiência é fragmentada por meio de múltiplos equipamentos de mídia - da sala de TV ao PC no quarto, passando pelo player portátil e o telefone celular -, no futuro, os softwares estarão aptos a conectar e integrar as experiências de entretenimento", disse o vice-presidente para consumo on-line da Microsoft na Europa, Jonh Mangelaar.
O caminho para isso já está apontado em inovações que surpreendem. Equipamentos que permitem ao usuário assistir à TV enquanto trabalha no PC ou navegar na internet enquanto assiste à TV. Os eletrônicos são simples, normalmente fáceis de usar e radicalizam a mudança de hábitos, a partir da praticidade com que unem as duas mídias. Para a pesquisadora Geane Alzamora, professora do programa de pós- graduação em comunicação social da PUCMinas, a tendência sinaliza o que alguns autores definem como "cultura da convergência".
"Hoje todos os movimentos contemporâneos tendem para uma situação de convergência. Os dispositivos refletem isso", explica Alzamora, exemplificando com os celulares, que executam cada vez mais funções. "Na lógica das conexões, o que é próprio da TV passa a se integrar com aquilo próprio do computador", acredita a especialista. "O que conhecemos como TV é algo que está em transição."
Depois do divisor de águas YouTube, a saída é encontrar modelos de negócios que sobrevivam à cultura colaborativa que sacode a rigidez dos direitos autorais. Também sobram, na web, sites que pirateiam os sinais de TVs do mundo inteiro, deixando gratuitamente programação vastíssima a poucos cliques. Isso para não falar dos movimentos de fãs que capturam programas como seriados americanos, legendam-nos rapidamente e disponibilizam-nos para downloads em sites de compartilhamento. "quanto mais a tecnologia é compartilhada, maior a audiência, dizAlzamora".
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Atualizado em 27|05|2009
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