Política Edição de sexta-feira, 29 de maio de 2009
Edivan será o novo presidente
Manobra para antecipar eleição na Câmara quebrou a hegemonia do grupo liderado por Rogério Marinho
Octávio Santiago Especial para o Diário de Natal
A chapa única encabeçada pelo vereador Edivan Martins (PV) recebeu 17 votos e vai assumir a mesa diretora da Câmara Municipal de Natal no biênio 2011-2012, quebrando a hegemonia de quase oitos anos do grupo liderado pela deputado federal Rogério Marinho (PSDB) à frente da Casa. Em menos de dois dias, os parlamentares criaram e aprovaram a alteração no Regimento Interno, que permitiu a manobra, antecipando a eleição de dezembro de 2009 para ontem.
Vereadores acompanham duscurso de Martins após tumultuada sessão Foto: Ana Amaral/DN/D.A Press
Os vereadores Ney Lopes Jr. (DEM), Júlia Arruda (PSB) e Maurício Gurgel (PHS) vão conduzir a vice-presidência da Câmara. No secretariado, não há muita renovação. Albert Dickson (PP), Júlio Protásio (PSB), Chagas Catarino (PP) e Adão Eridan (PR) apenas se alternaram na escala hierárquica: uma forma de driblar a extinção da reeleição, às vésperas de ir para o plenário.
Os 13 parlamentares que votaram a favor da mudança no Regimento na quarta-feira disseram "sim" à candidatura do pevista. Os outros quatro votos foram dados por George Câmara (PCdoB) e Hermano Morais (PMDB), que foram contra a antecipação, e pelos ausentes Bispo Francisco de Assis (PSB) e Adenúbio Melo (PSB), membro do grupo de Rogério na Casa.
O vereador Luís Carlos (PMDB) se absteve de votar e deixou o plenário em seguida. "Estão trocando seis por meia dúzia. Eles já começaram errando", disse. Sargento Regina (PDT) foi a dona do único "não". "Fui vítima dessa renovação excludente e não temo retaliações", declarou. O atual presidente, Dickson Nasser (PSB), não quis participar do pleito e voltou a chamá-lo de "golpe". Enildo Alves (PSB), candidato natural, também saiu antes.
Por trás dos argumentos de cunho administrativo usados para justificar a "eleição fora de época", estava a tentativa de interromper a alternância dos rogeristas na presidência. Coincidentemente, o deputado desembarcou na cidade uma hora antes de começar a votação. Para os defensores da antecipação, uma tentativa de emplacar um outro nome para o cargo. Rogério desmente. Segundo ele, a perda da liderança na Câmara não enfraquece os seus planos para 2010. "A cadeira é de Nasser até lá", justificou.
Hoje, três dos oito membros da nova mesa saberão se continuam como réus da Operação Impacto, que desarticulou um esquema de corrupção na Casa em 2007. Edivan Martins é um deles.
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