Agência de viagem inglesa recria cruzeiro para relembrar os 100 anos do naufrágio do famoso navio inglês
Fernando Braga // fernandobraga.df@diariosassociados.com.br
Quase 100 anos depois do naufrágio do Titanic, o luxuoso navio inglês continua a exercer um enorme fascínio sobre as pessoas. No rastro desse interesse, a agência de turismo inglesa Miles Morgan Travel resolveu fretar um navio e refazer a viagem feita em 1912 pelo famoso transatlântico.
Ms Balmoral: 218 metros de comprimento Foto: Miles Morgan/Divulgação
A viagem comemorativa a bordo do navio MS Balmoral, da Fred Olsen, vai partir de Southampton em 8 de abril de 2012, para um cruzeiro de 12 noites, seguindo o trajeto original do navio inglês. Conforme planejado há um século, ele atravessará o Canal da Mancha e passará por Cherbourg, na costa francesa, antes de rumar para o porto irlandês de Cobh (chamado anteriormente de Queenstown), local onde o Titanic fez a sua última escala, em 11 de abril de 1912. O navio seguirá, então, pelo Atlântico, com chegada prevista ao local do acidente na virada do dia 14 para o dia 15, exatamente 100 anos após a trágica viagem. Às 2h20, uma missa será realizada para homenagear os passageiros e a tripulação vitimados pelo naufrágio. O itinerário prossegue para Halifax, capital da província canadense de Nova Escócia, onde os passageiros poderão visitar diversos cemitérios em que estão enterradas mais de uma centena de vítimas do naufrágio, antes de seguir para seu destino final: Nova York.
"Escutei várias pessoas comentarem que gostariam de poder fazer uma viagem como essa, mas ninguém nunca havia realizado algo parecido. Então eu pensei, por que não? A história do Titanic é fascinante e conhecida em todo o mundo", comenta Miles Morgan, responsável pela organização da viagem.
Semelhanças
O luxuoso navio tem 738 cabines e espaço para receber até 1,4 mil pessoas. No entanto, o cruzeiro será restrito a apenas 1.309 passageiros. "É o mesmo número de pessoas que viajaram no Titanic", explica Morgan. As semelhanças não param por aí. O menu do restaurante será composto pelos mesmos pratos servidos na ocasião e a parte de entretenimento vai incluir músicas e danças da época. Além disso, historiadores darão palestras referentes ao tema que ganhou status mítico. A escolha da Fred Olsen também não foi por acaso, já que eles são acionistas da Harland and Wolff, empresa que construiu o malogrado navio.
O preço do cruzeiro Titanic Memorial Cruise varia de acordo com as cabines escolhidas e vai de 2,6 mil libras (R$ 6,5 mil) até 8 mil libras (R$ 26 mil). Nos primeiros cinco dias de vendas, a agência de viagem recebeu inúmeros pedidos de reservas e fechou contrato de pelo menos 100 cabines. "Recebemos contato de pessoas de aproximadamente 45 países", calcula Morgan. "É uma oportunidade de uma vida. Trata-se de um cruzeiro único, embalado pelo interesse daqueles que têm fascínio pela história do navio", diz. Para aqueles que acham mórbida a ideia de refazer o fatídico trajeto do Titanic, o organizador argumenta: "É um cruzeiro memorial, nada mais. Nossa intenção é prestar honras e respeito às vidas que se foram há 100 anos".
O MS Balmoral é um gigante dos mares de 218 metros de comprimento por 28 metros de largura. "O navio tem todas as facilidades e conforto de um cruzeiro moderno", conta Morgan. Entre as regalias oferecidas aos passageiros estão espaço para spa, academia de ginástica, sauna, jacuzzi, piscina, lavanderia, centro médico, cassino, bares, loudges, restaurantes, sala de jogos, internet e biblioteca.
O Titanic, luxuoso navio britânico a vapor, media 269 metros e foi o maior transatlântico de seu tempo. Devido à sua robusta estrutura feita em aço, o navio era considerado "impossível de afundar". Em sua viagem inaugural, de Southampton para New York, seu destino foi selado. Durante a madrugada de 15 de abril de 1912, a cerca de 150 quilômetros ao sul de Newfoundland, o Titanic colidiu com um enorme iceberg. O casco do navio ficou danificado e os compartimentos internos foram alagados, o que partiu o navio ao meio e o afundou. Como não havia botes salva vidas suficientes para todos (apenas 16, o mínimo exigido na época), 1.513 pessoas morreram - num total de 2,2 mil passageiros.
Com a tragédia, as leis que regiam a construção de transatlânticos foram alteradas. Os navios teriam que ter botes salva vidas para todos a bordo, os telegrafistas deveriam trabalhar durante a noite e foi criada uma patrulha internacional responsável por monitorar os icebergs que pudessem oferecer riscos à navegação.
O MS Balmoral
- Cabines: 738
- Capacidade de passageiros: 1400
- Tripulação: 500
- Comprimento: 218 metros
- Largura: 28 metros
- Velocidade: 20 nós
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Edição de sexta-feira, 29 de maio de 2009
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