É inegável que a Ponte Newton Navarro tem oferecido uma série de benefícios à cidade como um todo e, principalmente, mudado o cenário imobiliário do outro lado do rio. A praia da Redinha Velha, por exemplo, deixou de ser apenas um destino de veraneio para tornar-se um bairro residencial. É o que constata a funcionária pública aposentada Vera Bessa, que reside ali desde 1981 e já visualiza que apenas 20% das casas são para uso nos fins-de-semana e alta estação. "A ponte era um sonho antigo que tornou-se realidade. Agora, eu tenho vários vizinhos que passaram a residir na Redinha, sem contar que o acesso ao centro da cidade melhorou mil por cento", anima-se.
Construída em 1954 por veranistas, igreja feita de pedras do mar é símbolo de uma época em que a Redinha era o refúgio favorito da elite natalense Foto: Joana Lima/DN/D.A Press
Outra moradora, que preferiu não ser identificada, reclama, por outro lado, que houve um aumento considerável das 'badernas' provocadas pelos freqüentadores dos bares próximos à sua residência. "Depois que a ponte foi inaugurada, o barulho dos carros à noite, principalmente do sábado para o domingo, tornou-se insuportável", relata.
Segundo ela, é comum presenciar cenas de sexo e pessoas urinando no meio da rua. "É uma coisa horrível. A falta de banheiros públicos contribui para isso", disse, mencionando outro aspecto negativo motivado pela nova ponte. "A violência, que já existia, aumentou muito. Não existe um patrulhamento ostensivo da polícia e nós sofremos com os constantes assaltos, até mesmo durante a luz do dia", apontou a fonte, que citou ainda a intensificação da exploração sexual no local, inclusive de crianças e adolescentes.
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