Um projeto do Departamento de Física Teórica e Experimental da UFRN receberá o montante de R$ 2,4 milhões, da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), até 2012. Coordenada pelo professor pós-doutor em Física Eudenilson Lins de Albuquerque, 60 anos, a pesquisa "Nanobioestruturas e Simulação Nanobiomolecular" será desenvolvida por um grupo de 16 pesquisadores das universidades federais do Rio Grande do Norte (envolvendo os departamentos de Física e Biofísica), Ceará e Paraíba. Seu objetivo: estudar a biofísica do DNA, a "molécula da vida", com o intuito de transformá-la em um condutor de energia elétrica capaz de substituir os atuais materiais utilizados pela indústria com esse fim.
Eudenilson e outros pesquisadores comprovaram capacidade de molécula de DNA para conduzir correntes Foto: D Luca/DN/D.A.Press
Não é ficção científica. Trata-se de um projeto de nanobiotecnologia, uma área multidisciplinar que une conceitos da física, química, biologia e engenharias. A nanotecnologia trabalha com dimensões biológicas nanométricas, sendo impossível a visualização de tais estruturas a olho nu. Um nanômetro corresponde à bilionésima parte do metro ou um milionésimo de milímetro. Apenas com o desenvolvimento de técnicas modernas e poderosos microscópios foi possível o início de estudos e manipulações nessa área, conhecida como a "imensidão do diminuto".
O trabalho desenvolvido sob a batuta do professor Eudenilson será teórico, formulado a partir de simulações computacionais. Entretanto, o projeto conta com a colaboração de 16 das principais universidades dos Estados Unidos e Europa - como MIT e Harvard (EUA), e ETH-Zurich (Suíça) - para que as simulações sejam postas em prática em seus laboratórios. De acordo com ele, as vantagens dessa nova revolução científica são inúmeras. "O DNA é a matéria mais abundante no planeta. Ao contrário de materiais usados como condutores, como o cobre, ele não se desgasta e é praticamente ilimitado na natureza. Essa tecnologia permitirá o barateamento da energia elétrica". Para se ter idéia da abundância de material, basta dizer que umcromossomo humano possui mais de três bilhões de cadeias de DNA.
Em um estudo recente, Eudenilson e outros pesquisadores comprovaram, por meio de complexos cálculos matemáticos e equações físicas, a capacidade de uma molécula de DNA conduzir correntes elétricas. "A corrente encontrada no nosso modelo é capaz de manter em funcionamento um ambiente como esse", afirma o professor referindo-se à sua sala.
Eudenilson estima que a nova tecnologia estará sendo utilizada em escala industrial dentro de 10 anos. "O Brasil não pode perder a onda da nanotecnologia. Hoje estamos desenvolvendo pesquisas de ponta nessa área e competindo com as principais universidades do país. Em 1997, Estados Unidos, Japão e União Européia investiram US$ 500 milhões em pesquisas de nanotecnologia. Em 2004, esse valor foi de US$ 4 bilhões e até 2015 deverá ultrapassar US$ 1 trilhão anuais. Essa tendência aponta para uma ruptura tecnológica e mudança profunda na configuração dos procedimentos industriais".
Um desdobramento da aplicação da pesquisa é o desenvolvimento de nanochips, substituindo os atuais silício e o xenônio pelo DNA. "Estamos saindo da fase da engenharia eletrônica para a engenharia molecular. A microeletrônica já deu o que tinha que dar. Um computador pode ser melhorado em termos de design, mas o desenvolvimento de seus componentes depende agora da nanotecnologia".
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Edição de domingo, 31 de maio de 2009
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