Empresas e trabalhadores devem inovar e se capacitar para passar pelos dias difíceis
Louise Aguiar Especial para o Diário de Natal
Louise Aguiar
Especial para o Diário de Natal
A palavra "crise" já virou lugar-comum nas rodas de conversas de todo o país. Mas a dúvida é: o pior já passou ou ainda está por vir? Até os especialistas divergem sobre as previsões. Há aqueles que defendem que o mundo inteiro já conheceu o "fundo do poço", enquanto outros acreditam que a pior crise de todos os tempos pode ir ainda mais além. Mas o importante, tanto para o trabalhador assalariado quanto para o empresário, é saber como se prevenir diante de um cenário tão incerto. Desde evitar gastos supérfluos até investir em cursos de capacitação, os especialistas recomendam todo tipo de precaução.
O economista e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Zivanilson Teixeira e Silva, acredita que se o governo federal não tivesse anunciado medidas emergenciais - como a prorrogação da isenção do no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para os automóveis e a aplicação para os eletrodomésticos de linha branca e material de construção-, os efeitos teriam sido ainda mais desastrosos. Mas depois de junho, com o provável fim desses descontos, o cenário econômico brasileiro pode se tornar ainda mais sombrio.
Especialista diz que a crise começa agora
"A perspectiva não é muito boa, até porque o presidente do Banco Central já acenou com a possibilidade de diminuição no crescimento do PIB. É um quadro tenebroso, porque a crise começa agora no Brasil", diz o professor. Na opinião de Zivanilson, o número de demissões tem grande possibilidade de crescer no próximo semestre no estado. O especialista aconselha que as pessoas evitem dívidas, comprando o estritamente necessário e evitando longos prazos para o pagamento das compras.
Para o trabalhador assalariado, a orientação dos especialistas é consensual: neste momento, é importante buscar qualificação profissional, porque, segundo Zivanilson, o mercado sempre irá exigir versatilidade, pessoas que possam se adaptar prontamente às mudanças na empresa. No que diz respeito aos investimentos, a recomendação do momento são os investimentos de risco baixo, como a caderneta de poupança e os CDBs. "Apesar dessa celeuma que se criou em torno das taxas da poupança, ela continua sendo o investimento mais atrativo", acrescenta. Para os empresários, sobretudo os micro e pequenos, o economista ensina que é necessário ser ousado, empreendedor e apostar muito nos funcionários. Mas a redução de custos precisa ser a maior prioridade. "O pequeno empresário tem que se adaptar. Tem que agir muito rápido e fazer um planejamento de capital para os próximos cinco anos", aconselha.
Confira dicas para enfrentar a crise em casa, no trabalho e na empresa
Em casa
- Diminua os gastos e evite comprar supérfluos;
- Priorize as compras à vista, evitando o uso de cartões e cheques;
- Fuja de parcelamentos muito longos: as taxas de juros incidem ainda maiores nesses casos;
- Nas compras de alimentação, é bom fazer uma lista antes de sair de casa. Um terço do que compramos sempre vai para o lixo;
No trabalho
- Se tiver capital, procure investir em cursos de qualificação;
- Leituras, idiomas, cursos técnicos e treinamentos melhoram o currículo e tornam o profissional mais versátil;
- Cursos de comportamento também são importantes: é a melhor maneira de se vacinar contra uma demissão;
Na empresa
- A hora é de inovar. Na crise de 1929, por exemplo, a maior em toda a história mundial, as maiores empresas de hoje foram as que investiram e ousaram naquela época. Um exemplo é a Johnson & Johnson;
- Investir no corpo de funcionários, com ações de valorização e cursos, é outra dica importante;
- Pensar em alternativas de atrair o cliente e fidelizá-lo também é outra tática de enfrentamento da crise;
- É importante também controlar os custos e o estoque, além de fazer um planejamento de gastos para os próximos cinco anos;
Dicas de investimento
- Se você tem um montante em dinheiro, prefira aplicá-lo em investimentos com retorno de médio e longo prazo;
- A caderneta de poupança, embora venha sofrendo mudanças em suas taxas de rendimento, ainda é a melhor opção nesse momento de crise;
- A bolsa de valores ainda opera na instabilidade, não sendo recomendada para os investidores iniciantes, ainda mais nessa época de incertezas;
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