Nível dos salários não acompanha o da qualificação requerida
As exigências do mercado de trabalho para contratação aumentaram tanto quanto a busca por uma colocação profissional. De acordo com o Diesse/RN, enquanto o número de trabalhadores celetistas (com carteira assinada) com ensino superior e médio aumentou, os profissionais com menos escolaridade perderam espaço nos últimos 10 anos. Mas, segundo o economista José Aldemir Freire, quem sabe mais, quer ganhar mais, e os salários disponíveis são baixos.
Movimento do comércio no centro de Natal: setor é um dos mais exigentes, e paga geralmente entre um e 2,5 salários mínimos Foto: Fabio Cortez/DN/D.A Press
Junto com as exigências de mercado, o rendimento médio mensal do trabalhador nesses três setores também aumentou. Um acréscimo que chega a 25%, ao longo de 10 anos, no salário dos trabalhadores da indústria. O comércio foi o que registrou o menor aumento, 4% . Contudo, esses reajustes não tiveram grande impacto na massa salarial: segundo dados do Dieese/RN, em 2007, 91% das contratações pagavam até dois salários mínimos.
Enquanto isso, as necessidades de qualificação cresceram. O supervisor técnico do Dieese/RN, Melquisedec Moreira, condiciona o aumento no nível de exigência dos empregadores à grande oferta de profissionais. "Como tem muita gente precisando de emprego, o nível de exigência aumenta", analisa. Analista socioeconômico do IBGE, Aldemir Freire complementa a avaliação, explicando que "os empresários sempre procuram aqueles que possuem melhores qualificações, a despeito do salário pago não remunerar essa diferença de qualificação".
Porém, parece haver uma falha nesse sistema, uma vez que os empresários não conseguem achar o tipo de profissional que procuram. A dificuldade é apontada pelos representantes do comércio varejista potiguar, que reclamam a falta de qualificação profissional dos candidatos. O presidente da Associação dos Lojistas do Midway (Alomid), Edmilson Teixeira, cita a dificuldade que teve ao selecionar pessoal para trabalhar no terceiro piso do shopping: "Recebemos uma avalanche de três mil currículos e não conseguimos aproveitar 350". Para ele, o perfil das pessoas em busca de um emprego não corresponde às exigências do mercado. Para Aldemir,o problema está na remuneração. "Muitas vezes as pessoas que possuem as qualificações requeridas também estão em busca de empregos que remunerem melhor, e acabam não se inscrevendo para esses trabalhos", diz ele, que ilustra esta situação com o próprio IBGE. As seleções temporárias de um ano do instituto - aquelas em que são pagos R$ 700 por 40 horas semanais, auxílios transporte e alimentação, férias e 13º salário - atraem muitas pessoas com capacitação além do que é pedido. "Esse profissional vem para o IBGE, geralmente, porque não consegue trabalho em sua área de formação e os empregos no setor privado pagam salário menores por condições de trabalho piores", comenta o economista.
+ Mais É preciso investir na própria qualificação
Clique na imagem para
vê-la maior
Atualizado em 30|05|2009
Edições anteriores
Selecione a data do
Diário que você
deseja visualizar
Copyright
- Diariodenatal.com.br | todos os direitos reservados. É proibida
a reprodução parcial ou total do conteúdo
desta página sem a prévia autorização |
redacao.rn@diariosassociados.com.br