Ex-militares usam experiência do conflito no Iraque para prestar serviço com limpeza de cenas de homicídio
Nova York (EFE) - Dois ex-marines americanos aproveitaram a experiência no Iraque recolhendo os corpos de seus companheiros mortos na guerra para, no retorno aos Estados Unidos, criar uma empresa dedicada à limpeza de cenas de crimes. Ben Lichtenwalner e Ryan Sawyer, dois reservistas do Exército americano, criaram a Biotrauma (www.biotrauma.com) no estado da Geórgia, uma das poucas empresas especializadas em limpar a fundo - após a perícia policial - locais de acidentes, homicídios, suicídios ou mortes naturais.
"Em 80% dos casos, é a própria família que limpa e se encarrega de que tudo volte à ordem. Permitir que, tendo sofrido um transtorno tão grande, essas pessoas façam isso não é normal. Por isso, fizemos a Biotrauma", disse Sawyer, que conheceu o sócio no Iraque em 2005.
A vida imita a arte: na televisão, seriado simula trabalho desenvolvido, depois, pelos membros do exército norte-americano Foto: EFE/LACEY TERRELL
Na televisão e no cinema, o trabalho da polícia científica é bastante explorado. O seriado CSI é um exemplo claro, personificado nas investigações do inspetor Gil Grissom. Mas pouco se vê quando o policial deixa a cena do crime, e as famílias precisam limpar a sujeira provocada por sangue para voltar à normalidade.
Da ficção para a realidade, é nesse momento que entram em cena os profissionais como Lichtenwalner e Sawyer, que, durante sete meses, foram encarregados de recuperar os corpos de todos os que tivessem morrido em combate, "fossem marines, civis iraquianos ou inimigos", lembrou Sawyer.
"Fomos treinados para sermos conscientes dos perigos físicos de lidar com corpos nesse estado", explicou Sawyer, para quem "o mais importante" que eles levaram do Iraque foi "o aprendizado emocional do que significa a morte e as consequências que ela tem nas pessoas próximas".
Levar equipamento adequado para evitar qualquer infecção e os produtos químicos necessários para não deixar restos da tragédia, "nem visíveis nem invisíveis", não é suficiente para os empresários da faxina. Eles consideram fundamental "respeitar as famílias e ser sensível às situações que elas atravessam", diz Sawyer.
"Limpamos , mas nosso negócio se concentra em ter sempre asfamílias em mente e em sermos respeitosos", diz o ex-marine.
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Edição de domingo, 31 de maio de 2009
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