Cidades Edição de segunda-feira, 8 de junho de 2009
Praia da falta de estrutura
Badalada na década de 80, Praia do Meio está abandonada e não oferece serviços básicos para banhistas
Erta Souza // ertasouza.rn@diariosassociados.com.br
O comerciante Janilton Belo da Silva, 31 anos, conhece a história da Praia do Meio como poucas pessoas. Há quase 30 anos ele trabalha diariamente no quiosque que herdou dos pais. O comerciante afirma que já "viu de tudo" no local. "Antigamente quem trabalhava aqui era um privilegiado porque a praia era badalada e local certo para os turistas visitarem, mas a falta de investimentos do poder público tem dificultado nosso trabalho aqui", afirma.
Calçadão repleto de buracos, paradas de ônibus destruídas, falta de banheiros públicos e lixo são alguns dos problemas Foto: D Luca/DN/D A Press
A ausência de investimento citado por Janilton pode ser comprovada pela equipe de reportagem do Diário de Natal em um rápido passeio. São paradas de ônibus destruídas, calçadão esburacado e lixo, muito lixo, tanto no calçadão quanto na própria praia. Porém, esses não são os únicos problemas enfrentados por quem trabalha ou frequenta a praia. "Não temos banheiros, nem tambores para colocar o lixo, por isso a praia é suja. Quem necessita utilizar o banheiro paga R$ 1 nos bares e restaurantes da orla", disse.
O ambulante, Antônio Simplício, 41, vende óculos há 18 anos, mas nos últimos sete fixou as vendas na Praia do Meio. Na opinião do vendedor, a praia precisa de mais segurança para reconquistar os visitantes. "Aqui para o turista é complicado porque os bandidos conhecem de longe e levam óculos, relógios e câmeras digitais", declarou. Mas, durante a caminhada pela orla, a reportagem encontrou quatro bombeiros (guarda-vidas) e quase 20 policiais, distribuídos em cavalos, bicicletas, motos, viatura e na base fixa próximo a Praça do Pescador.
Para evitar os constantes assaltos, o sargento Hércules da Polícia Militar sugere que os turistas não levem objetos de valor como joias e máquinas digitais. "Essas peças são uma espécie de 'chama' para os assaltantes. Geralmente eles ficam olhando de um ponto e depois agem em bicicletas", explicou.
Mesmo com todos os problemas, a praia ainda conta com frequentadores assíduos. Este é o caso da secretária Iara Sônia Lima da Silva, 20, moradora da Cidade da Esperança (Zona Oeste), que semanalmente encontra as amigas no local. "Não deixo de vir porque a galera daqui é a mais animada de Natal. A única chateação é a falta de banheiros, especialmente para as mulheres", declarou.
Paulo André do Nascimento Silva, 38, tornou-se vendedor de coco na praia depois de ficar seis meses desempregado, mas diz ter consciência de suas obrigações. "Procurei emprego por toda parte, mas não consegui. Então há um ano resolvi trabalhar por conta própria na praia. Acho que os outros vendedores deveriam evitar colocar mesas e cadeiras no calçadão porque atrapalha a caminhada das pessoas. Outra coisa que poderiam fazer era dar destino ao lixo produzido pela sua barraca para que a praia não ficar tão suja como estamos vendo", opina.
O auxiliar de depósito, Josivaldo Gomes, sempre que pode, leva os familiares à praia e afirma que outros locais passam pelo mesmo abandono. "Gostamos muito de ir à Redinha Nova e lá a situação também é complicada. Em todas o problema principal é a sujeira", avalia.
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