O presidente da Associação Brasileira de Criadores de Camarão (ABCC), Itamar Rocha, espera um incremento de 15% a 20% na produção de camarão em 2009, apesar das recentes chuvas que prejudicaram os produtores. Porém, argumenta que o aumento "depende muito" da participação dos governos federal e estadual no reparo aos danos causados, "que prometeram muito e nada fizeram" com relação às enchentes do ano passado. De acordo com ele, apesar das enchentes, o Rio Grande do Norte faturou U$100 milhões em 2008, um terço de toda a produção nacional.
Camarão potiguar já foi destaque nas exportações, mas agora é o mercado interno quem garante os lucros no setor, um dos que mais emprega na área do agronegócio do estado Foto: Fabio Cortez/DN/D.A Press
"Mesmo assim mantenho-me otimista em relação às ações do poder público. Até porque, com a presença de dois ministros (Altemir Gregolim, da pesca; Gedel Vieira Lima, da Integração Nacional) visitando o estado, penso que eles agora têm uma dimensão mais realista da gravidade da situação" diz o presidente. O requisitado pelo empresário não são recursos para cobrir prejuízos apurados pelos produtores, e sim a reconstruçãode rodovias. "Não estamos pedindo muito. Só queremos que as obras viárias sejam reconstruídas, o que é obrigação do governo", comenta.
Analisando de uma maneira mais global a conjuntura dos negócios, o presidente afirma que o segmento vive o clima da "recuperação econômica". Para isso ele cita a dimininuição dos danos causados por doenças (o vírus NIM, que afetou muito a produção depois das enchentes de 2004), a subida do dólar frente ao real e o fortalecimento do mercado interno. "Os camarões estão com um nível de sobrevivência, no que se refere às pragas, bem maior do que há três anos", declara.
Mas a grande crítica do presidente é ao governo federal. Itamar Rocha defende uma política de "gatilhos" ou subsídios para compensar as fortes oscilações da moeda norte-americana. "O governo federal tem que urgentemente uma medida para o exportador não ficar tão exposto ao sobe e desce do dólar. Há dois anos e meio costumávamos negociar com o dólar a três reais e sofremos muito quando ele (o dólar) esteve a R$ 1,60", reclama. "O faturamento diminiu por causa da desvalorização cambial e nossos custos aumentaram em virtude do encarecimento dos insumos", acrescenta.
A "grata surpresa" considerada por Rocha é a robustez que o mercado interno vem ganhado. Segudo ele os brasileiros já consomem 90% do camarão produzido, um crescimento impressionante quando comparado aos 15% que o mesmo mercado tinha como fatia em 2003.
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Edição de segunda-feira, 8 de junho de 2009
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