Esportes Edição de segunda-feira, 8 de junho de 2009
Seleção // Tabu quebrado com goleada
Palco da conquista da primeira Copa em 1930, do museu do triunfo de 1950 e do que restava da supremacia uruguaia, o Estádio Centenário perdeu, no último sábado, um terço de sua mística. Em matemática, 100 divididos por três é igual ao número de uma escrita apagada pela primeira vitória do Brasil na capital uruguaia após 33 anos e três meses.
Luís Fabiano, autor do terceiro gol, comemora ao lado de Robinho a vitória histórica Foto: Sandro Pereyra/EFE
Com a goleada por 4 a 0, a seleção celebrou a terceira e mais contundente vitória em 23 confrontos em Montevidéu. Depois de 22 jogos, o Brasil voltou a vencer duas partidas seguidas pelas eliminatórias, o que não acontecia desde outubro de 2004. Se chegar à terceira, quarta-feira, em Recife, contra o Paraguai, o time do técnico Dunga praticamente assegura vaga na Copa do Mundo com quatro rodadas de antecipação.
"Foi muito bom, vencer na casa deles. Temos que igualar na pegada. Tecnicamente, o Brasil é a seleção mais forte do mundo", exultou o goleiro Júlio César.
Ao contrário das batalhas de outrora, o jogo começou frio, como a temperatura local, em torno dos dez graus. Diante do péssimo gramado, que dificultava a troca de passes, o Brasil marcava a saída de bola do adversário. Antes de conseguir fazer uma jogada de ataque sequer, a seleção já tinha recebido o primeiro gol de presente. Aos 11, Daniel Alves chutou da intermediária e a bola ainda quicou na frente de Viera, que aceitou, sem esboçar reação. Aos 35, Juan precisou de duas chances para marcar o segundo. Após escanteio cobrado por Elano, o zagueiro cabeceou e Viera espalmou. Na sequência, a bola voltou para Elano, que cruzou para Juan fazer 2 a 0 em nova falha do goleiro.
Apesar do placar, o jogo não era confortável. Júlio César ainda fez três grandes defesas antes de Robinho de desentender com Pérez no fim primeiro tempo.
No segundo tempo, o Brasil encontrou espaços para tocar a bola. Aos 6, após boa trama de todo o ataque, Luís Fabiano chutou forte e cruzado para fazer 3 a 0. Até os 20, o atacante já tinha perdido outras duas boas chances antes de receber, injustamente, o segundo amarelo por simulação e ser expulso. Após passe de Daniel Alves, Kaká sofreu pênalti que ele mesmo converteu aos 29. No fim, Pereira fez falta violenta em Ramires e foi expulso. Àquela altura, a escrita e a mística do Centenário também já haviam deixado o campo.
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