Escolas de Caicó e Jucurutu são as primeiras a utilizar conceito de laboratório portátil criado por físico do RN
Adriana Amorim // adrianaamorim.rn@diariosassociados.com.br
Para que haja um resultado satisfatório no processo de ensino e aprendizagem, a fórmula é uma só: professores preparados, salas de aula adequadas e estudantes motivados. Se o assunto forem ciências, termo que envolve as disciplinas de Física, Química e Biologia, soma-se a isso a necessidade da experimentação. Mas é justamente a ausência de laboratórios com esse propósito na maior parte das escolas brasileiras - inclusive as particulares - um dos principais fatores a levarem o país aos últimos lugares sempre que é avaliado por instrumentos como o Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa). Na tentativa de suprir ou, pelo menos, amenizar essa deficiência, o físico potiguar Jerônimo Freire desenvolveu o Laboratório Móvel de Ensino de Ciências (LMEC).
O físico Jerônimo Freire mostra seu laboratório móvel, uma maleta com ferramentas de ensino que leva à prática os conceitos enfocados em sala de aula Foto: Ana Amaral/DN
Por ser uma experiência inédita no Brasil, especialmente por concentrar-se apenas no ensino fundamental do primeiro a nono anos, o projeto está sendo implantado de forma permanente em duas escolas privadas do Seridó. Enquanto o Colégio Diocesano Seridoense, em Caicó, ainda está nas fases iniciais de capacitação dos professores e aplicação de questionários que abordam a realidade atual do ensino de ciências, o Educandário São Miguel, em Jucurutu, já está realizando suas atividades experimentais. Como fruto de sua pesquisa durante o doutorado em Educação, Jerônimo montou uma maleta contendo instrumentos que tornam possíveis a observação e investigação do que é visto em sala de aula, como lupas, réguas, termômetros e outros capazes de avaliar o pH da água, o consumo de energia e até os efeitos causados pelo lixo ao meio ambiente.
O laboratório tem seu foco justamente em três eixos transversais de estudo: água, lixo e energia. "Isso realça a preocupação com a cidadania e vai envolver, além dos alunos, funcionários e professores, a comunidade da cidade e as famílias", destacou o professor. O LMEC é ainda composto de manuais das atividades práticas, softwares educacionais, DVDs e interação com a Internet. "Olaboratório é muito mais que um produto a ser oferecido às escolas privadas e secretarias de educação pública. Ele é, antes de tudo, um serviço. E, para funcionar, é preciso que os professores sejam previamente capacitados", frisou.
Outro aspecto importante é o cuidado com o conteúdo a ser repassado aos estudantes. "Os professores, juntamente com os alunos, estão desenvolvendo a parte local do manual através de pesquisas sobres os aspectos de suas cidades quanto ao uso da água, da energia e do trato do lixo", disse, e continua: "Normalmente, os livros adotados pelas escolas são produzidos no eixo Rio-São Paulo e não trazem um foco local", justificou.
Na opinião de Maria da Luz Paulina, diretora do Educandário São Miguel, o laboratório tem possibilitado o manuseio de instrumentos com um cunho científico. "Antes, essa experimentação acontecia apenas a partir do ensino médio, mas já estamos observando o fascínio dos alunos mais novos por suas próprias observações e descobertas", disse, enfatizando o papel da capacitação prévia dos professores.
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Atualizado em 07|06|2009
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