Pesquisa com ratos descobre que remédio contra diabetes realça o poder dos linfócitos T e melhora efeito de vacinas
Chicago - Um remédio de uso comum para o controle da diabetes estimula o sistema imunológico e potencializa os efeitos das vacinas e tratamentos contra o câncer. A equipe de pesquisadores das universidades McGill, no Canadá, e da Pensilvânia, nos Estados Unidos, descobriu que a metformina - antidiabético amplamente difundido - aumenta a eficácia dos glóbulos brancos, também chamados de linfócitos T, do sistema imunológico, o que possibilita ao corpo reagir de forma mais contundente às vacinas antivirais e anticancerígenas.
O tratamento contra a diabetes, verificada em um simples exame, pode também ajudar milhões de pessoas no mundo que sofrem com gripes, Aids e até tumores Foto: Iano Andrade/CB
De acordo com os pesquisadores, os linfócitos T reconhecem agentes patogênicos de alguma doença ou infecção que esses glóbulos já combateram. Os cientistas explicam que é uma espécie de "memória química da doença" que permite ao corpo identificar e lutar contra os supostos corpos estranhos ao organismo. Essa "memória imunológica" foi estudada durante anos. Entretanto, até agora, não se conheciam bem os mecanismos celulares envolvidos. A pesquisa foi feita com ratos, mas acredita-se que o ser humano também reaja positivamente à metformina.
Os pesquisadores afirmam ainda que podem "utilizar os tratamentos diabéticos para manipular a resposta das células T e aumentar o enfrentamento do sistema imunológico às infecções e ao câncer". O especialista Russell Jones, da Universidade McGill, explicou que muitos genes que intervêm na regulação da diabetes também têm um papel na progressão do câncer. Além disso, existem dados que indicam que os diabéticos são mais propensos a certos tipos de câncer. "Nossos resultados são extremamente importantes e poderiam revolucionar as estratégias atuais tanto de vacinas terapêuticas como protetoras", afirmou Yongwon Choi, da Universidade da Pensilvânia.
Jones disse que o estudo é o primeiro a sugerir que "se centrando nas mesmas vias metabólicas que desempenham um papel na diabetes, é possível alterar positivamente a capacidade de resposta do sistema imunológico". Os pesquisadores descobriram "por acaso" que a maneira como os linfócitos T metabolizam ou queimam osácidos graxos após um pico de infecção é essencial para criar a memória imunológica. "Quando demos metformina aos ratos, foi como dar um impulso à resposta das células T", declarou Jones.
Os cientistas decidiram empregar a metformina, remédio que atua no metabolismo dos ácidos graxos, para reforçar o processo de criação da memória imunológica, e demonstraram em cobaias que o medicamento "reforça a memória das células T e a consequente imunidade protetora de uma vacina anticancerígena experimental". A metformina é empregada para tratar da diabetes tipo 2, que está relacionada à má alimentação e à falta de exercícios físicos e representa cerca de 90% dos casos da doença.
Os resultados sugerem que tratamentos correntes contra a diabetes que atuam no metabolismo celular poderiam aumentar a memória das células T, estimulando o sistema imunológico, o que poderia levar a novas estratégias para vacinas e tratamentos contra o câncer.
Estudo passo a passo:
- A ciência sabe que os linfócitos T atuam no combate aos corpos estranhos e aos sinais de doença que atingem os organismos. Até agora, no entanto, desconhecia-se como essas células podiam ser fortalecidas.
- A pesquisa ministrou metmorfina, substância utilizada contra a diabetes, em ratos e percebeu alteração na resposta imunológica e aceitação do corpo às vacinas antivirais e anticancerígenas.
- Era conhecido que muitos genes que interferem na diabetes também provocam alteração na progressão do câncer. A partir disso, os cientistas abriram um flanco: se conseguirem controlar a evolução nos genes da diabetes, têm a chance de dominar o crescimento das células cancerígenas.
- A pesquisa pretende concentrar os esforços para obter em seres humanos o mesmo efeito benéfico observado durante os experimentos com ratos.
Incidência
- Mundo: o diabetes virou a epidemia do século e já afeta cerca de 246 milhões de pessoas em todo o planeta. Até 2025, a previsão é de que esse número chegue a 380 milhões. Estima-se que boa parte das pessoas que têm diabetes, doença que pode atingir crianças de qualquer idade, desconhece a sua própria condição.
- Brasil: de acordo com o Vigitel 2007 (Sistema de Monitoramento de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas Não Transmissíveis), a ocorrência média de diabetes na população adulta (acima de 18 anos) é de 5,2%, o que representa 6.399.187 de pessoas que confirmaram ser portadoras da doença. A prevalência aumenta com a idade: o diabetes atinge 18, 6% da população com idade superior a 65 anos
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Edição de segunda-feira, 8 de junho de 2009
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