José dos Santos Correia, o "Mestre Correia", um dos maiores expoentes da cultura popular do Rio Grande do Norte, morreu por volta das 7h30 de sábado passado, no Natal Hospital Center, depois de ficar internado por cinco dias no Hospital Walfredo Gurgel em virtude um acidente vascular cerebral (AVC). Correia tinha 80 anos e era mestre do grupo Congos de Calçola de Ponta Negra, um dos mais tradicionais do estado. O sepultamento ocorreu ontem pela manhã, no cemitério do bairro da Zona Sul de Natal.
Congueiro era símbolo da primeira geração de moradores da Vila de Ponta Negra Foto: Frankie Marcone/DN/ DA Press
"Ele vivia do e para o congo. Mesmo quando estava doente não deixava de acompanhar as atividades dos grupos", fala a irmã do mestre congueiro, Celina dos Santos Correia. Ela critica o atendimento recebido pelo irmão no Walfredo Gurgel, dizendo que muitos exames foram solicitados com atraso. "Não davam nem os medicamentos na hora certa", reclama ela.
Mestre Correia começou a passar mal na madrugada do dia 28 de maio, quando acordou com um mal-estar e foi levadopara o hospital pelos familiares. "Ele teve convulsões e quando chegou ao Walfredo Gurgel já estava com a boca torta e dificuldades para falar", conta Celina Santos.
O congueiro era também um símbolo da primeria geração de moradores da Vila de Ponta Negra. "Ele chegou a carregar pedra para a contrução da igrejinha da Vila", fala o irmão Pedro Correia. Segundo ele, o irmão lutava pelo congo para manter a memória do trabalho do pai, Sebastião Francisco Correia, morto em 1985. As raízes do congo são africanas, mas ele só se desenvolveu de forma siginificativa no Brasil.
Os folguedos contam a estória de ascensão e queda de um rei negro. Depois de o rei receber representantes de um reino vizinho para conversar sobre disputas de terras, ele é levado pelos visitantes, dando um início a um tragédia. Os Congos de Calçola contam com dez vassalos, além do rei, do príncipe, o embaixador, o general, o secretário e um músico.
O mestre deixou nove filhos e a esposa. Pedro Correia diz que aguarda a inclusão dos Congos de Calçola nos editais de cultura da Fudação José Augusto, para que o grupo possa receber benefícios. O projeto "Encantos da Vila", com a UFRN, foi uma parceria importante do grupo, movimentando toda a comunidade, trazendo de volta danças como o boi de reis e o pastoril.
"Foi uma perda irreparável porque ele era uma das melhores cabeças pensantes do folclore e tinha uma série de conhecimentos vastos sobre a cultura popular. Não sei como as pessoas irão substituí-lo. Tinha uma voz muito boa e era sempre uma segurança para quem se apresentava com ele", diz o pesquisador e folclorista Deífilo Gurgel.
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Edição de segunda-feira, 8 de junho de 2009
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