Colunas Edição de quarta-feira, 10 de junho de 2009
Editorial
Herança da Guerra Fria
Não se conhecem os termos de uma possível contrapartida do atual governo de Cuba ao gesto de boa vontade oferecido ultimamente pelos países integrantes da Organização dos Estados Americanos reunidos em Honduras ao país caribenho. Cuba, em razão de seu público compromisso com o sistema comunista de governo, veio de ser expulsa da citada entidade há quase cinquenta anos, há, precisamente 47 exercícios.
De lá até aqui, a "guerra fria" entre os grandes protagonistas da II Guerra Mundial finda em 1945 declinou e, inclusive, deixou para trás ódios e rancores cultivados sobretudo pelos Estados Unidos e a União Soviética agora fragmentada na Rússia e perto de uma dezena de pequenos e médios países sitos no ocidente e no sul da terra dos cazares.
No auge da Guerra Fria, Cuba tomou de tal maneira o partido do socialismo exacerbado que passou acolher no âmago do próprio território armas de destruição em massa - foguetes armados de ogivas atômicas com alcance calculado até o Alaska e o Hawai norte-americanos. Ante a prova material do apelo cubano a tão perigosos armamentos, o presidente norte-americano de então, John Kennedy, apresentou-lhe sob forma de ultimato a ordem de retirada dos foguetes e impôs à ilha caribenha o primeiro embargo marítimo que, inicialmente abrangendo apenas o transporte de armas, passou depois a compreender todo e qualquer fluxo marítimo na direção de Havana e demais cidades do pequeno país do mar do Caribe.
Era o começo do demorado embargo econômico feito com o propósito de enfraquecer em caráter permanente a ossatura de Cuba.Seguiram-se os suprimentos a Cuba de muitos bilhões anuais de dólares em petróleo e armas leves da parte da então União Soviética, a adesão franca aos postulados do sistema comunista de organização social, política e econômica e, afinal, a expulsão de Havana da Organização dos Estados Americanos (OEA).
O longo embargo econômico e a expulsão podem ter quebrado a espinha dorsal de Cuba, sem qualquer dúvida, entretanto, conferiram de mão beijada uma vitória de graça à União Soviética, ao conquistar um país vassalo nas barbas do território norte-americano.
Os frutos de longo prazo das medidas expoliativas dos pretensos direitos de um país passar ou não de um sistema político e econômico a outro são hoje avaliados à luz de uma razão que sobreveio com a passagem do tempo. Nosso próprio chanceler Celso Amorim denominou o ato de expulsão de Cuba da OEA de "Relíquia da Guerra Fria". Jornais brasileiros conservadores acham, hoje, que a resolução que em 1962 expulsou Cuba da OEA caducou, não tendo mais sentido até mesmo para os Estados Unidos.
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