Especial Edição de quarta-feira, 10 de junho de 2009
Voo 447 // Família potiguar à espera dos peritos
Parentes de Soluwellington Sá aguardam , hoje, policiais para coleta de material que ajude a identificar vítimas do voo 447
Antonio Ricardo // Especial para o Diário de Natal
Familiares do potiguar Soluwellington Vieira de Sá, um dos 228 desaparecidos do voo AF 447, que caiu sobre o Oceano Atlântico, informaram que peritos da Polícia Federal (PF) devem desembarcar hoje em Mossoró para colher material genético dos pais do passageiro. O procedimento servirá para identificar se um dos 41 corpos resgatados até agora é do areiabranquense. "A princípio, meu pai e minha mãe, Solon Henrique de Sá e Francisca Vieira de Sá, iriam viajar para o Recife, onde os exames serão realizados. Mas mudamos de ideia devido à idade avançada deles", explica Soluilson Vieira de Sá, irmão da Soluwellington.
Sebastião Moreira/EFE
Na última segunda-feira, segundo ele, outro irmão do potiguar procurou a Polícia Federal de Mossoró que, em contato com a Superintendência no Recife, confirmou a vinda dos peritos para hoje. Os pais de Soluwellington já estão em Mossoró esperando a chegada dos peritos, que devem colher amostras de sangue, cabelo e saliva para fazer a comparação genética. O Departamento de Comunicação Social da Polícia Federal em Brasília não confirma o deslocamento de peritos para fazer o trabalho de coleta, mas afirma que, em casos como esse, é possível que os familiares sejam procurados.
Em entrevista coletiva ontem, os Centros de Comunicação da Marinha e da Aeronáutica reveleram ter encontrado mais dezessete corpos no oceano. O acréscimo eleva para 41 o número de cadáveres resgatados desde o início das buscas. Dezesseis estão no Arquipélago de Fernando de Noronha e devem ser levados por avião, hoje, ao Recife. A câmara frigorífica da fragata Bosísio, ainda em alto-mar, está superlotada com os demais 25 corpos - embora tenha capacidade para comportar 20.
O processo de identificação dos primeiros 16 corpos começaram ontem, em Fernando de Noronha. Legistas brasileiros, com a ajuda de especialistas franceses, trabalham para identificar as vítimas com o auxílio de fotografias, amostras de DNA e registros dentários. Os corpos, conservados em contêineres refrigerados, foram analisados em um hangar do aeroporto de Fernando de Noronha por oito especialistas da Polícia Federal (PF) e da Polícia Civil de Pernambuco.
Dezesseis corpos chegaram a Noronha. No mar, fragata transportou destroços Foto: Marina Brasileña/EFE
Em Fernando de Noronha será feita a "catalogação" das roupas e dos objetos pessoais de cada vítima resgatada. Serão colhidas as impressões digitais e coletadas amostras de tecidos que possam servir para eventuais comparações genéticas. Os corpos serão transferidos para o Recife hoje pela tarde em um avião Hercules C-130 da Força Aérea Brasileira (FAB) em um voo de uma hora de duração.
Traslado
O primeiro grupo de cadáveres resgatados foi levado pela fragata "Constituição" até um ponto em alto-mar a cerca de 50 quilômetros de Fernando de Noronha. Ali, foi transferido a dois helicópteros, um Black Hawk e um Super Puma. Os restos mortais foram recebidos no aeroporto de Fernando de Noronha por militares, e os sacos plásticos nos quais estavam não deixaram ver o estado em que se encontram - após terem flutuado no mar por uma semana. Segundo o porta-voz da Força Aérea, tenente-coronel Henry Munhoz, a fragata "Constituição" voltou ao local do desastre para continuar buscando outros restos humanos e destroços do Airbus A330.
A operação de busca e resgate em metade do Atlântico está concentrada a 1350 quilômetros do Recife. Além dos seis navios militares, participam da busca 570 membros da Marinha, 265 da Aeronáutica e 14 aeronaves, 12 delas brasileiras e duas francesas. O submarino Emerade chega ao local hoje.
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