Especial Edição de quarta-feira, 10 de junho de 2009
Voo 447 // Aerolula troca sensores de velocidade
FAB decidiu seguir recomendação feita pelo fabricante 45 dias antes da tragédia com o Airbus francês
O avião presidencial utilizado por Luiz Inácio Lula da Silva - apelidado de Aerolula - incorporou o sistema "pilot probes" durante o dia de ontem. A incorporação havia sido recomendada pela empresa Airbus cerca de 45 dias antes da tragédia que jogou no mar do Atlântico o modelo A330 da Air France com 228 pessoas a bordo. Anteontem, a Força Aérea Brasileira havia tornado pública a orientação da companhia de aviação para que o ACJ-319 da Presidência da República realizasse o procedimento. O dispositivo, de acordo com a Airbus, serve para "melhorar a eficiência do equipamento na indicação de velocidade em condições de gelo". Em resumo, evita que haja erro na comunicação do ritmo em que voa a aeronave caso a peça congele e deixe de funcionar adequadamente.
Força Aérea garantiu que processo não possui relação com o acidente do avião da Air France, que teve partes recolhidas Foto: Marina brasileña/ EFE
Em nota emitida ontem, a Aeronáutica confirmou que o avião presidencial enfrentou o procedimento durante revisão programada em São Carlos, no centro de manutenção da empresa TAM - contratada para dar conta da manutenção do aparelho. O problema percebido pela companhia de aviação vem sendo indicado como uma das possíveis hipóteses para a queda do A330 há dez dias, quando seguia do Rio de Janeiro para Paris, na França. A FAB esclareceu que a substituição "não tem relação alguma" com o acidente, pois foi feita em função de "recomendações" da Airbus. Em comunicado oficial, também assinalou que o Airbus da Presidência tem diferenças substanciais em relação às aeronaves comerciais fabricadas pela companhia. O Airbus ACJ-319 utilizado pelo presidente Lula "possui uma série de modificações para a função que realiza", diz a FAB.
A própria TAM decidiu fazer a troca dos sensores de velocidade nas 124 aeronaves da companhia depois de comunicado feito pela fabricante dos modelos em 2007. O presidente da companhia aérea , David Barioni, garantiu que o procedimento ocorreu em 100% da frota. A troca do sensores de velocidade vem sendo usada pelo Sindicato de Pilotos da Air France como justificativa para uma provável paralisação das atividades. A entidade sindical pediu aos pilotos filiados que deixem de voar caso a empresa não proceda a substituição em todas as aeronaves que possui - especialmente dos modelos A330 e A340. Os sindicalistas disseram que, segundo o Escritório de Investigação e Análise (BEA, na sigla em inglês) francês apontou a dificuldade com os sensores como possível responsável pelo acidente do início do mês em águas territoriais brasileiras.
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