Colunas Edição de quarta-feira, 10 de junho de 2009
Opinião
Administração no devido lugar
Adilson Luiz Gonçalves - Mestre em Educação
Um dos princípios da Administração é colocar cada coisa, ou cada um, no seu devido lugar. No caso de máquinas: cada uma é concebida com determinado fim; disposta de acordo com a planta industrial, e ali permanece por anos, enquanto manutenções e "upgrades" garantirem a qualidade de seus produtos e sua produtividade; ou até que novas máquinas as tornem obsoletas. Seu destino, então, poderá ser outra indústria, de menor porte; outro país; ou, no limite: a "canibalização", o desmanche, o sucateamento. Será que é diferente com o ser humano?
O fantasma da obsolescência também está presente, e de forma ainda mais dramática. Mas a principal diferença é que as máquinas ainda não acumulam experiência de vida, por mais "inteligentes" que sejam. E mesmo que o façam, seus "instintos" não estão tão evoluídos ao ponto de saberem conciliar emoção com razão, produzindo motivação, superação, enfim, resultados que surpreendem até os mais otimistas.
É certo que ninguém é insubstituível, qualquer que seja a posição ocupada no organograma da empresa, mesmo os donos. A diferença é que estes últimos contratam quem os substitua. Afora isso, existe uma guerra pela sobrevivência no mercado, em que buscasse extrair o máximo possível dos equipamentos e equipes, pelo estabelecimento de metas cada vez mais complexas e audaciosas.
Até aí, nada de mal. O problema é como é feita essa "extração":
Alguns se apropriam de idéias alheias; exigem sem dar respaldo; capitalizam sucessos; transferem fracassos; sugam até a última gota de sangue; praticam assédio moral, como parte integrante de sua estratégia gerencial. E a única motivação que oferecem é a alternativa da demissão. E quanto mais competente for o subordinado pior, pois permanecerá nas mesmas coordenadas como uma máquina, só que sem "manutenção" ou "up grade". E sair nem sempre é solução, pois há os que chegam ao absurdo de bloquear transferências.
Esse tipo de "gestor empresarial" pode conhecer todo tipo de modelo administrativo; viajar pelo mundo para conhecer sua aplicação na origem; ler todos os livros e assistir todas as palestras sobre o tema; aprender todos os "segredos" da PNL, mas nunca será um ser humano decente. Seus "colaboradores", depois de espremidos e exauridos, serão descartados sem dó, no melhor estilo Maquiavel/Sun Tzu, provavelmente seus autores prediletos.
Recitam todas as frases feitas que aprenderam em seminários de conferencistas "consagrados", mas são incapazes de perceber seus próprios defeitos ou a insatisfação dos colaboradores. Provavelmente nunca perguntaram se eles estavam felizes com sua vida profissional, pois os veem como peças de uma máquina que deve fazer sua própria manutenção.
Mas também existem executivos que sabem reconhecer e valorizar méritos, e dar oportunidades de evolução para quem tem potencial. O colaborador que já mostrou sua competência e acumulou experiências ao longo do tempo pode, quer e merece ampliar seus horizontes profissionais. Às vezes essas possibilidades ocorrem dentro da mesma empresa, só que em outros setores. Um gerente realmente competente saberá contornar a "perda" desse elemento, e a empresa só terá a ganhar com isso.
Iniciativas desse tipo, com certeza dispensarão motivações inócuas, do tio: "É preciso vestir a camisa...", ou exortações ilusórias, tais como: "Primeiro é preciso mostrar serviço...", que mesmo quando é mostrado, nunca é suficiente, desmotivando mais ainda.
Se as empresas realmente querem incentivar e tirar máximo proveito positivo de seus funcionários, inclusive revelando líderes, comprometidos com seu desenvolvimento, é indispensável potencializar e realizar ascensão profissional.
Assim, colocar cada um no seu devido lugar não é imobilizar, mas dar mobilidade, por merecimento. Assim, não será necessário pedir para o colaborador "vestir camisa": ele já virá de casa com o uniforme completo todos os dias. E pronto para uma saudável "briga"!
Sustentabilidade: o conceito da vez
Rogério Campos Meira -Engenheiro Mecânico, Mastère em Management de La Qualité pela ENSAM - França
Sustentabilidade é algo que vem sendo discutido cada vez mais nos últimos anos. E este conceito está calcado no chamado triple bottom line, que representa a necessidade de uma organização avaliar o seu desempenho sob três diferentes perspectivas: a ambiental, a social e a econômica. Dessa maneira, sustentabilidade está relacionada à perenidade e à perpetuidade de uma empresa, ou ainda, se relaciona à capacidade dessa organização de se manter ativa e gerando valor para a sociedade a longo-prazo.
A partir disso, diversos padrões sobre Sistemas de Gestão vêm sendo desenvolvidos nas últimas décadas, procurando equacionar partes deste desafio. Podemos lembrar que a própria ISO lançou, ainda na década de 1990, uma série de normas sobre Gestão Ambiental (ISO 14001). Temos também uma norma brasileira sobre Sistemas de Gestão da Responsabilidade Social (NBR 16001), além de tantas outras.
Na família de normas ISO 14001, por exemplo, encontramos regras sobre Análise do Ciclo de Vida, que nos faz uma provocação muito interessante sobre os reais impactos ao meio ambiente. Por exemplo, trocar os copinhos plásticos do cafezinho da sua empresa por xícaras de porcelana, analisando todas as variáveis envolvidas, vai reduzir os impactos ambientais? Lembre que a xícara você vai lavar e, com isso, utilizar sabão e água. Ou ainda, substituir as toalhas de papel dos banheiros por sopradores elétricos vai reduzir os impactos ambientais? Note todos os custos envolvidos, não só os financeiros, com a geração de eletricidade.
Uma saída, então, seria a abordagem sistêmica, por partes, entendendo que, às vezes, é melhor "fatiar" um problema para que soluções completas sejam pensadas. No caso específico da sustentabilidade, tal prática pode ajudar no descobrimento de caminhos que levem uma empresa a garantir, por meio do respeito às questões ambientais, sua perpetuidade e perenidade.
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