Para muitas escolas, comer de forma mais saudável é um tema restrito às aulas de ciências, ou seja, apenas teoria. Enquanto na sala de aula a professora se esforça para dizer às crianças que banana tem carboidrato, feijão tem ferro e que elas precisam desses nutrientes para crescerem saudáveis, na hora do recreio, elas fazem a festa com salgados, refrigerantes, recheados e outras guloseimas consideradas "vilãs" da saúde das crianças. Mas a alimentação saudável é um hábito que pode ser ensinado juntando teoria à prática, o que torna, inclusive, as aulas bem mais interessantes.
Essa experiência tem sido vivida já há um ano pela Escola Doméstica de Natal e no colégio Henrique Castriciano, cujas cantinas tinham hambúrgueres, chocolates e frituras como os itens mais vendidos. A frequência de alunos com excesso de peso e com carências nutricionais levou a escola a conscientizar seus alunos para uma alimentação mais saudável. A preocupação fez surgir o projeto Criança Saudável, que começou a refletir em sala de aula o que se comia na cantina e no lanche que os alunos traziam de casa.
De acordo com a pedagoga e orientadora do projeto, Daliane Fernandes Torres, esse trabalho foi feito concomitante à parceria com a cantina, que passou a não mais vender às crianças de até 10 anos os alimentos considerados prejudiciais à saúde como sanduíche, frituras, refrigerantes e chicletes. Elas começaram a consumir sucos, sanduiches naturais, água de coco, frutas in natura e salgados apenas de forno. Além disso, a escola promovia todas as segundas e quartas-feiras o momento da fruta, quando cada aluno trazia uma fruta de casa e, ainda, uma guloseima produzida a partir do suco da fruta, como um pudim ou uma torta, para fazer degustação acompanhada pela professora.
O resultado foi excelente, segundo atestam os alunos Francisco das Chagas Gomes de Queiroz, 10 anos, Sara Stanislau Oliveira, 9 anos, e Amanda Cunha Lima Rosado, 8 anos. Eles disseram que antes tinham dificuldades de comer frutas e legumes, mas depois que viram e provaram em sala de aula, a fruta ficou mais gostosa. O depoimento dos alunos foi confirmado por Raquel Ibiapina, mãe de Rebeca, três anos e Mariana sete anos: "sempre orientei minhas filhas a comerem frutas e legumes e percebo que só agora elas despertaram para isso", confirmou Raquel.
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Edição de domingo, 21 de junho de 2009
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