"Eterna mutante", Bethel Figuerôa foi locutora do Circo Voador, desfilou para Chacrinha e teve affair com Dedé Santana
Rafael Duarte // rafaelduarte.rn@diariosassociados.com.br
Bethel Figuerôa repete, como um mantra, o bordão que aprendeu vivendo: "somos eternos mutantes, cobaias humanas". Aos 53 anos, a radialista aposentada pode, sim, dizer que viveu. Aliás, vive. Ainda que as crises de depressão aguda e a síndrome do pânico andem feito fantasma pela casa que divide com uma sobrinha, no bairro de Nova Parnamirim. O medo ajudou a compor o perfil desse personagem tão natalense quanto carioca que vive se redescobrindo. Tem sido assim desde que ela fugiu de Natal com a família para o Rio de Janeiro. Na época, início dos anos 60, o avô comunista, Odorico Figuerôa, sofria ameaças e era perseguido pelos militares. "Ele era uma espécie de diretor de comunicação do Partido Comunista em Natal. Fomos para o Rio e em pouco tempo ele sumiu e até hoje ninguém sabe o que aconteceu", recorda.
Bethel relembra os tempos em que se aventurou no Rio e até disputou concurso de beleza no programa do Chacrinha Foto: Joana Lima/DN/D.A Press
Sem o pai, José Arimatéia do Nascimento, que virou pai de santo e preferiu continuar no terreiro de macumba, no bairro das Rocas, Bethel procurou o caminho das pedras sozinha. Da infância, lembra que começou a trabalhar aos nove anos de idade numa gráfica e das amizades que não conquistou porque a mãe bebia muito e era motivo de chacota na rua em que morou, na cidade fluminense de Duque de Caxias.
As fugas viraram rotina. Na adolescência, ela fugia de casa para ver os artistas que se apresentavam nas sedes da Rádio Nacional e da TV Rio. Era hiptonitizada por Wanderléa e a turma da Jovem Guarda. Embora apanhasse da avó sempre que voltava para casa no final do dia, tinha uma certeza: "Eu queria ser artista", conta.
Numa dessas escapadas, conheceu o produtor do programa do Chacrinha, que a convidou para participar do concurso "A Estudante Mais Bela do Brasil". A mãe se encarregou de fazer o vestido todo rosa com a saia rodada que usou no desfile e também na festa de 15 anos, único aniversário que lembra ter comemorado na vida. No concurso, que já tinha como jurada a eterna Elke Maravilha, ficou em segundo lugar mas não ouviu um mísero obrigado do Velho Guerreiro. Mesmo assim recebeu novo convite do produtor para se apresentar cantando numa excursão pelo Norte e Nordeste do país. Era pegar ou largar. Bethel pegou isso até descobrir quais eram as intenções do vendedor de ilusões. Então fugiu pela quarta vez. "Ele se apaixonou por mim e fiquei com medo. Já tinha fugido de outro namorado que me disse que se eu o deixasse ele me matava", revela.
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Edição de domingo, 21 de junho de 2009
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