Bethel voltou a Natal no final dos anos 70. Uma volta ainda não definitiva que durou três anos. Durante esse tempo, foi convidada pelo amigo Mirabô Dantas para trabalhar no setor de discotecagem da Rádio Nordeste. Começava ali uma experiência de sucesso nas rádios de Natal. Já como locutora, passou pela Trairi, Poti, Cabugi e a FM Universitária. Eterna mutante, Bethel não conseguiu a estabilidade que tanta gente almeja. Fugiu de novo. Agora, de uma forma ainda mais inusitada. "Conheci um pirata americano, desses que vivem navegando pelo mar. Soube que ele iria para Fernando de Noronha, peguei um empréstimo no banco e comprei uma passagem de avião para chegar primeiro que ele. Ficamos juntos, morei vários meses no barco. Até que voltei para o Rio de Janeiro, onde conheci o homem que seria o pai da minha única filha", lembra.
De volta à Cidade Maravilhosa, a mutante passou dificuldades. Sem grana para sustentar duas bocas, deixou a filha com o pai e seguiu em frente. Foi bailarina sem nunca ter pisado num tablado. "Foi o que apareceu e aceitei. Mas depois faliu", diz. Por indicação de um amigo, entrou para a produção dos Trapalhões e teve um affair com o humorista Dedé Santana. No início dos anos 80, vivenciou a explosão do rock nacional ao anunciar as bandas e grupos que se apresentavam no Circo Voador, tenda cultural no bairro da Lapa, que reunia artistas de todas as faunas na época.
A frustração aparece quando ela lembra do fora que levou do Tim Maia ao pedir para trabalhar na Vitória Régia, produtora do "síndico". "Ele disse que não estava precisando de ninguém e desligou o telefone", recorda.
Bethel não desistiu. Entre amores e fugas, ainda se envolveu com um jornalista que a levou para o jornal carioca Tribuna da Imprensa, onde trabalhou por pouco tempo. Sem perspectiva, decidiu voltar para casa nos anos 90. Reencontrou amigos e o rádio, fez novas amizades. Agora, a radialista mutante quer virar cobaia da literatura infantil. A mulher que fugiu dos militares com a família, foi segunda colocada no concursode beleza do Chacrinha, viveu com um pirata, trabalhou com os Trapalhões e levou um fora do Tim Maia quer contar um pouco de sua vida para as crianças. O motivo ela tem na ponta da língua: "Acho que todo escritor põe um pouco da própria história nos livros. A verdade é que somos eternos mutantes, cobaias humanas", diz.
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Edição de domingo, 21 de junho de 2009
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