Janúncio vocaliza ruídos incompreensíveis aos humanos e se move rapidamente de um lado para o outro de um espaço pequeno quando está em companhia de um ser humano. No caso, Janúncio é um dos saguis do laboratório de primatologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) que servem de modelo para uma pesquisa de resposta ao estresse, monitorada pela médica e pesquisadora do Departamento de Fisiologia, Maria Bernardete Cordeiro de Souza.
Maria Bernardete coordena o estudo, que tem uma área de gaiolas destinada à observação dos animais utilizados nos testes Foto: Fabio Cortez/DN D.A Press
O contato com os saguis, na verdade, é a abordagem experimental da pesquisa, cujo monitoramento também é feito com humanos. A professora orienta dois alunos de doutorado que acompanham a parte aplicada do experimento. Uma é enfermeira no Hospital da Guarnição, em João Pessoa, que atende aos recrutas do Exército. O outro é um aluno que observa o comportamento de trabalhadores em uma fábrica de calçados, também na capital paraibana.
"Com os recrutas do Exército, hoje se sabe que existem determinantes genéticosde como serão as reações quando eles estão expostos a uma determinada situação. Ela pode ser extremamente estressante, ou seja, provocar as alterações internas que rotulamos como resposta ao estresse (aumento da frequência cardíaca, dilatação da pupila e modificações no metabolismo). Se essa reação não for aguda e breve, e sim prolongada, aí é desenvolvida uma sintomatologia, originando uma doença", explica a pesquisadora.
Os animais são necessários ao estudo por permitirem situações que não podem ser formadas com humanos, como é o caso da separação, respeitando a legislação no tratamento com os bichos. "Não podemos, por exemplo, nos humanos, fazer uma separação de uma mãe de seu filho. Mas nos saguis, como eles são animais sociais, pode-se fazer um paralelo com a nossa espécie depois de distanciar dois integrantes da mesma família ou algum outro parceiro", diz ela.
Exames
Para saber como as separações afetam os animais, são coletadas informações em seu estado basal (corriqueiro, quando o corpo está em um ambiente conhecido) através de exames clínicos que mensuram a quantidade de hormônio dos saguis neste estado. Cuidados devem ser tomados para que a própria coleta de informações não seja um agente estressor para o animal, que não pode ser imobilizado. A quantidade de hormônio (cortizol) registrada é oriunda das fezes do bicho. Os diferentes níveis de cortizol, medidos nas situações de agitação e de relaxamento, é que dão a exata medida do objetivo das pesquisas, ou seja, o patamar de estresse vivenciado pelas cobaias.
+ Mais Espécie é "supermodelo biológico"
Clique na imagem para
vê-la maior
Edição de domingo, 21 de junho de 2009
Edições anteriores
Selecione a data do
Diário que você
deseja visualizar
Copyright
- Diariodenatal.com.br | todos os direitos reservados. É proibida
a reprodução parcial ou total do conteúdo
desta página sem a prévia autorização |
redacao.rn@diariosassociados.com.br