Erguer ou reformar a casa pode custar menos, seja com criatividade, como Manuel Neto, ou pesquisando nas lojas
Renata Moura // renatamoura.rn@diariosassociados.com.br
Janelões e portas de ipê, pias inox, vasos sanitários, peças de granito e grades se amontoam longe dos centros comerciais de Natal, no depósito tocado por Manuel Acêncio da Silva Neto e pela família, na Zona Norte da cidade. Com a loja sob a curiosa marca "Ponto da Desconstrução", eles vendem materiais de demolição, comprados de casas, hotéis, restaurantes e até escolas, interessados em se desfazer dos produtos. Compram e revendem ao consumidor por preços que podem ficar até 50% mais em conta.
No Ponto da Desconstrução, na Zona Norte, Manuel Neto revende materiais usados: preços podem cair pela metade Foto: Fabio Cortez/DN/D.A Press
Rápido nas contas, Neto não perde tempo e diz que uma bancada de granito de 1,50 metro por 60 centímetros custa R$ 120. Num depósito convencional, garante que não sairia por menos de R$ 300. "Mais isso dependendo do granito", ameniza. Outra oferta que faz questão de comparar é uma porta de Ipê, com 60 de largura por R$ 2,10 de altura, com fechadura e caixa: R$ 250. "Essa mesma porta, nova e sem caixa, custaria R$ 369,60", calcula.
A comercialização de materiais de construção usados despertou para ele como oportunidade de negócio há cerca de três anos, quando era pintor e descobriu que a dona da casa em que estava trabalhando queria se desfazer de algumas janelas e portas. Ela perguntou se ele queria. Ele aceitou. E não perdeu tempo. Tratou logo de arrumar as mercadorias na frente de casa. A intenção era vender, o que aconteceria logo, logo.
Já conhecido no mercado, hoje Neto é chamado por empresas e construtoras para avaliar e comprar tudo o que puder ser retirado por ele para revenda. Paga sempre à vista e é assim também que vende aos consumidores. "Chegamos a faturar entre R$ 27 mil e R$ 30 mil por mês", conta. Como pintor, ele ganhava R$ 35 por dia. Hoje, se todo esse dinheiro fosse só dele, faturaria nada menos de R$ 900, diariamente.
IPI
Para quem não puder ir até a loja de Neto ou precisa comprar itens novos,a saída é pesquisar e correr para aproveitar o desconto do IPI. Nas lojas de materiais de construção, por exemplo, cerca de 30 itens de construção estão mais baratos com a queda do imposto, incentivo que, se não for prorrogado, deverá continuar baixando os preços nas prateleiras até o fim deste mês. Os descontos chegam a 20%, diz a analista de marketing de rede de loja de materiais de construção Comjol, Andiara Freitas. Mas o IPI não foi o único responsável pelo barateamento."A redução do imposto gira em torno de 5%, mas a loja resolveu dar descontos acima disso por conta do período de baixa provocado pelas chuvas", explica.
Para se ter uma ideia do alívio trazido para o bolso do consumidor, o metro quadrado de piso, por exemplo, caiu de R$ 12, para R$ 8. Parece pouco, mas para quem precisa comprar 44 metros quadrados, isso significa pagar R$ 352, em vez de desembolsar R$ 528. A economia, nesse caso, chega a R$ 176. Para conseguir poupar, é preciso, no entanto, pesquisar entre marcas, entre lojas concorrentes e também por partes: se puder, tire um dia para comparar os preços só de materiais elétricos, depois só de tubos de conexões, só de louças e assim por diante. "Pesquisando, é possível pagar pelo menos 30% menos", garante a analista.
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