Finalmente o São João chegou. As fogueiras já estão se acendendo, o colorido dos balões e bandeirinhas já estão por toda parte e, como não poderia deixar de ser, as delícias dessa época do ano já estão nas panelas. Tradicionalmente, as receitas à base de milho são as estrelas da festa e, mesmo com as inovações da gastronomia, as pessoas continuam a se render às canjicas, pamonhas, bolos de milho, munguzá, cuscuz e o próprio milho cozido ou assado. Na família da dona de casa Erta Maria de Carvalho Souza, 53 anos, a criatividade deixa a festa junina ainda melhor. A família produz um prato pouco tradicional, mas não menos saboroso: a canjica preta.
Esta versão do tradicional prato junino, acrescenta rapadura, canela em pó, cravo e erva doce. Receita surgiu no município de Santana do Matos Foto: Divulgação
Além dos ingredientes utilizados numa receita comum de canjica, a dona de casa acrescenta rapadura, canela em pó, cravo e erva doce. Que já provou diz que não há nada melhor. Dona Erta conta que essa receita surgiu no município de Santana do Matos, com a sua avó. Os segredos da canjica preta foram passandopor quatro gerações e hoje é a queridinha da família. "Todo mundo fica esperando essa época do ano para comer. Sempre usamos ingredientes suficientes para fabricar muitas travessas e depois de prontas, a gente as distribui para os parentes. É uma festa", afrimou. Dona Erta também disse que o que diferencia a canjica preta das receitas tradicionais é a manteiga da terra e a rapadura. "Essa mudança no tempero é que dá o sabor único. A rapadura faz com que ela fique com uma coloração diferente, parecendo chocolate. Na minha família, a canjica amarela é chamada de papa. Minhas filhas, sobrinhos, e os mais jovens nunca provaram a receita tradicional. Só gostam da canjica preta", disse. Na hora de produzir, dona Erta disse que a todo mundo põe a mão na massa. "A família se reúne, pois a quantidade de ingredientes é grande. Para se ter uma ideia, usamos cerca de 130 espigas de milho. E eu não sei reduzir a receita, pois sempre fazemos em grande quantidade", explicou. No entanto, mesmo com a participação dos familiares, dona Erta garante que na hora de mexer a canjica, só ela o faz. "Não gosto de muita gente colocando a mão na receita. Até porque ela passa mais de seis horas no fogo de lenha. E se muita gente mexer, a coisa desanda", declarou.
Receita
- 140 espigas de milho
- 5 cocos
- 5 ou 6 rapaduras (média)
- 1 kg de açúcar
- 1 xícara de manteiga da terra
- 1 xícara de manteiga da terra
- Cravo e erva doce à gosto
- Leite (até obter o ponto)
Modo de preparo
Corte o milho, passe no moinho, esprema (tudo como em uma canjica comum) e coloque em outro recipiente. No caldo que vai se formar, acrescente leite, mel das rapaduras e o açúcar. Leve ao fogo. Depois de quatro horas de fervura, desmanche um frasco de canela em pó com leite e acrescente à mistura. A canjica estará pronta quando estiver descolando da colher, por volta de seis horas depois do início da fervura. Distribua nos recipientes e acrescente canela em pó à gosto.
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Edição de domingo, 21 de junho de 2009
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