Economia Edição de sexta-feira, 26 de junho de 2009
Finanças // Juros caem e dívidas aumentam
Brasília - As taxas de juros de empréstimos caíram e a inadimplência - principalmente devido às altas taxas do cheque especial - aumentou, segundo dados das operações de crédito divulgados ontem pelo Banco Central (BC).
Em entrevista coletiva ontem, Lopes apontou cheque especial como vilão Foto: Elza Fiúza/ABr
De abril para maio, a taxa geral de juros passou de 38,6% para 37,9% ao ano, a menor desde maio de 2008. No caso das pessoas físicas a redução foi maior - passou de 48,8% para 47,3% ao ano. No caso das empresas houve recuo na taxa anual de 28,8% para 28,5%.
A taxa para o crédito pessoal, que inclui operações consignadas em folha de pagamento, teve redução de 2,2 pontos percentuais, chegando a 46,6% ao ano. O empréstimo para a compra de bens, inclusive veículos, chegou ao menor patamar da série histórica iniciada em julho de 1994. Essa taxa passou de 32,7% ao ano, em abril, para 31,6% ao ano, em maio deste ano. No caso do cheque especial, no entanto, houve aumento de 166,3% ao ano, em abril, para 167,8% em maio.
A má notícia é que, de acordo com o BC, a taxa geral de inadimplência passou de 5,2% para 5,5% de abril para maio, a maior desde setembro de 2000 (5,7%). Para as pessoas jurídicas (empresas), no mesmo período, o percentual passou 2,9% para 3,2%. No caso das pessoas físicas, a taxa subiu de 8,4% para 8,6%. A inadimplência corresponde ao percentual em atraso acima de 90 dias em relação ao total.
Inadimplência
O cheque especial foi o principal responsável pelo aumento da inadimplência para as famílias (pessoas físicas), segundo avaliação de Altamir Lopes: "O cheque especial tem uma taxa muito elevada. É a modalidade mais cara de crédito [167,8% ao ano registrados em maio]. Isso evidentemente compromete muito a renda". No caso do cheque especial, a inadimplência subiu, de abril para maio deste ano, de 10% para 10,8%, a maior taxa da série histórica do BC iniciada em julho de 1994. No total, a inadimplência para as pessoas físicas subiu de 8,4% para 8,6%, também a maior da série.
De acordo com Lopes, o aumento da inadimplência ocorre por conta da redução da oferta de crédito, resultado da crise financeira internacional. Com isso, as famílias e empresas tiveram dificuldades para renovar os empréstimos e honrar os compromissos. Mas, para Lopes, a expectativa é que inadimplência caia com a recuperação da oferta de crédito.
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