No alto dos seus 410 anos, Natal enfim é contemplada com um festival de dança com direito a premiação em dinheiro. Sem ajuda do poder público, a promoção vem da iniciativa privada, através da Cia do Movimento Academia, e a programação deveria ter início hoje, no Teatro Alberto Maranhão. "Mas, nenhuma companhia de dança profissional se habilitou e tivemos que cancelar a sexta", disse Fátima Oliveira, organizadora do evento. Com isso, o primeiro Festival Dança e Movimento vai ocorrer apenas neste sábado, a partir das 18h30, com a disputa de grupos independentes de dança, cujas inscrições somaram 21 coreografias.
Integrantes da Ciado Movimento: reclamações Foto: Fabio Cortez/DN/D.A Press
Aos nove anos de existência, a academia também promoverá seu oitavo Encontro Infanto-Juvenil de Dança de Natal, quando cerca de 400 alunos de diversas escolas de Natal farão 32 apresentações no domingo, a partir das 17h. Como de praxe, os bailarinos Rodrigo Negri, 28 anos, e Priscilla Mota, 26, participam do evento como convidados especiais, trazendo para a cidade experiências adquiridas no dia-a-dia do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, onde atuam como solistas e convivem com dançarinos renomados de diversos países. O casal tem vindo pelo menos duas vezes ao ano a Natal, tanto para se apresentar nos eventos promovidos pela academia, quanto para ministrar oficinas. Junto com Fátima Oliveira - que carrega mais de 30 anos de experiência em diversos gêneros da dança os bailarinos cariocas fizeram uma análise do universo da dança na capital potiguar. "Ninguém quer acreditar no trabalho feito na cidade", foi enfática Fátima. Segundo ela, o tradicional Encontro Infanto-Juvenil, que visa contribuir com a divulgação dos trabalhos realizados pelos grupos de diversas escolas, apenas atrai familiares e o círculo envolvido. "Pensando em proporcionar mais incentivo para o crescimento da dança e uma formação de platéia mais sólida, resolvemos lançar o primeiro festival de dança, com prêmios para Melhor Coreografia e Bailarino Revelação", disse, e continua: "Mas, as companhias locais não vieram participar".
Priscilla Mota diz que, só em agosto próximo, já foi convidada para compor banca de três concursos que acontecerão na cidade do Rio de Janeiro. "Vemos aqui muitos talentos, mas o incentivo praticamente não existe. No Rio, encontros e festivais acontecem o ano inteiro e com uma participação grande das companhias e academias de dança", disse ela, que faz a ponte Rio-Natal pelo quarto ano consecutivo.
Além da desvalorização pela sociedade e pelas pessoas que lidam com a dança, outro grande problema esbarra justamente na estrutura oferecida pelo Teatro Alberto Maranhão, o maior do Estado. Há oito anos, Fátima recorre ao teatro para promover seus eventos, normalmente realizados duas vezes ao ano com o encontro das escolas e espetáculo dos alunos de sua academia. Ela diz que, se quiser uma iluminação ao seu gosto, por exemplo, precisa contratar o serviço por fora. "O mesmo acontece com o som. Para que tudo saia como planejamos, sem falhas, é preciso levar", disse.
Os bailarinos convidados dão sua opinião acerca da casa. "Eu acho o teatro de Natal lindo, é um lugar em que sinto prazer em dançar, mas toda vez que a gente vem presencia coisas absurdas", disse Priscilla Mota, citando uma delas: "Assim que a última apresentação termina, as luzes de todo o teatro são desligadas. A gente, como artista, se sente desrespeitada. O público sequer tem o direito de conversar com a gente, pois fica no escuro".
Rodrigo Negri complementa: "O porteiro deve esperar até que a última pessoa saia. A gente esteve em vários teatros do Nordeste e a estrutura é bem diferente, moderna, onde os próprios funcionários tem interesse em proporcionar sempre um bom trabalho", destacou. Na opinião de Fátima, o problema está concentrado basicamente na estrutura física. "Há um desinteresse e os obstáculos são inevitáveis. Fico triste com isso. Enquanto o mundo está andando, nós estamos estacionados", lamentou.
Hilneth Correia, diretora do Teatro Alberto Maranhão, rebate algumas das críticas, mas afirma que a iluminação está defasada, com previsão de ser modernizada no segundo semestre. "Já foi feita licitação. Quanto ao som, não existe problema algum. Está tudo perfeito", garantiu. Já em relação ao desligamento das luzes após o fim dos espetáculos, Hilneth dá a explicação: "O Teatro garante 40 minutos após o espetáculo para que os artistas conversem com o público e se arrumem", disse, argumentando que o teatro precisa ser fechado até à meia-noite por questões de segurança.
Serviço
1º Festival de Dança e Movimento
Quando: Sábado, a partir das 18h30
Onde: Teatro Alberto Maranhão
Ingressos: R$ 20 (inteira) ou R$ 10 (meia)
Serviço
8º Encontro Infanto-Juvenil de Dança
Quando: Domingo, a partir das 17h
Onde: Teatro Alberto Maranhão
Ingressos: R$ 20 (inteira) ou R$ 10 (meia)
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Edição de sexta-feira, 26 de junho de 2009
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