Colunas Edição de sexta-feira, 26 de junho de 2009
Opinião
Escola e família: chame os pais!
Telma Araújo - Professora
Um dos temas que tem despertado interesse entre educadores e cursos de formação de professores diz respeito ao papel da família no espaço escolar. Há muito se discute, dentro das escolas, que o grande responsável pelo fracasso escolar do aluno é a sua família. A ausência desta na escola leva-nos a questionar: Por que será que a família não está inserida nas ações e tomadas de decisão da escola? Reconhece, pois, esta a importância que tem no processo de ensino e aprendizagem dos filhos?
A escola sabe de que família está falando? A escola conhece a família do seu aluno? O que a escola tem feito efetivamente para inserir a família nas suas tomadas de decisão? Não vivemos, hoje, uma gestão democrática, participativa? São questões que permeiam as discussões nas escolas. Buscamos a participação da família, em especial os pais, apenas pensando em minimizar as situações de conflito e indisciplina que vivenciamos no cotidiano escolar. Se um aluno apresenta-se indisciplinado, chame os pais ouresponsáveis; se não quer fazer as atividades, chame os pais ou responsáveis; se demonstra apatia em sala de aula, chame os pais ou responsáveis... Se precisamos do voto para eleição de diretores e do Conselho Escolar, chame os pais ou responsáveis; se precisamos aprovar a prestação de contas dos serviços executados, chame os pais ou responsáveis... Por que não chamamos os pais e responsáveis para tomar parte nas decisões das ações que a escola desenvolve?
Porque achamos que eles não entendem como ocorre o processo de ensinar e aprender dentro da escola. Não os chamamos porque temos medo de que eles descubram como ensinamos e como os seus filhos aprendem. E se os pais e responsáveis, de repente, acordarem e perceberem o que está acontecendo nas nossas escolas? E se eles quiserem fazer parte do processo? E se eles descobrirem que seus filhos têm direito a uma educação de qualidade?
E se eles compreenderem o que significa uma educação de qualidade para todos? E se eles pudessem avaliar a escola e o professordo seu filho? E se eles começarem a cobrar seus direitos? Nesse momento não poderemos, nós educadores, lembrá-los dos seus deveres? Quem sabe, nesse momento, poderíamos construir uma parceria visando melhorar a qualidade do nosso ensino.
Ora, sabemos que não existe a família ideal, pois esta continua sendo a instituição social responsável pelos cuidados, proteção, afeto e educação das crianças pequenas, ou seja, é o primeiro e importante canal de iniciação dos afetos, da socialização, das relações de aprendizagem.
Está na hora da escola abrir suas portas para deixar a família entrar. Convidar a família para as suas discussões, torná-la co-responsável pelo sucesso escolar do filho/aluno. Ministrar cursos de formação para os pais e responsáveis, transmitindo conhecimentos básicos de psicologia e de técnicas pedagógicas educativas, dizendo-lhes da sua importância no trabalho escolar, torná-los participantes do processo educativo, valorizando-os.
Está na hora da família sair desse estado de letargia e acordar para as suas responsabilidades para com a educação dos filhos. É chegada a hora desta cumprir seus deveres e tomar posse dos seus compromissos voltados à escola.
Precisamos, em nome dos filhos/alunos, assumir nosso papel como co-responsáveis na busca de uma sociedade mais justa e equilibrada. Precisamos urgentemente fazer a nossa parte. A família precisa da escola e a escola da família: família e escola - Escola de Famílias.
Como se proteger do comércio ilegal de medicamentos
Carlos Marques - Superintendente Comercial da Drogaria Onofre
Apesar dos esforços do governo e das autoridades brasileiras, o comércio ilegal de medicamentos movimenta bilhões, só em impostos não arrecadados, custa até R$ 3 bilhões por ano aos cofres públicos. Essa realidade, apontada pelo ETCO - Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial, mostra os danos financeiros provocados pelo contrabando, sonegação fiscal e drogas falsas ou ilegais no Brasil.
Mas o que chama atenção dentro desse universo é o risco a que a população brasileira está exposta, pois, segundo a ANVISA - Agência Nacional de Vigilância Sanitária, 20% do mercado brasileiro de medicamentos é ilegal e dentre as diversas formas de ilegalidade (contrabandeados, falsificados ou sem registro) quem paga a conta é a saúde do consumidor. Embora seja um problema mundial, o tema preocupa pela organização das quadrilhas que atuam e dificuldade de fiscalização do mercado, já que este é muito pulverizado em pequenos distribuidores e varejistas, o que dificulta muito a atuação dos órgãos responsáveis pela regulamentação do setor.
O consumidor deve estar sempre atento, não só na origem do medicamento, seus fabricantes e princípios ativos, mas também aos cuidados que as empresas que comercializam medicamentos têm com o transporte e armazenagem dos produtos. Muitos remédios quando expostos a temperaturas altas ou a umidade podem ter a eficácia dos princípios ativos seriamente comprometida. E para manter um padrão de qualidade em todo o processo de manuseio de medicamento são necessários altos investimentos em treinamento, infra-estrutura e tecnologia.
O principal fator que contribui para a existência desse mercado ilegal como de qualquer outro sem dúvida é o preço, que obviamente é obtido com a falta de qualidade do produto, a diferença fundamental e grave, é que no mercado de medicamentos o risco é a saúde do consumidor.
Para evitar a compra de produtos ilegais, o consumidor tem que estar sempre atento aos seguintes pontos: desconfiar de preços "milagrosos"; exigir sempre o cupom fiscal em suas compras; procurar na embalagem um símbolo, revestido com material metalizado, que ao ser raspado, tal como as "raspadinhas" lotéricas, expõe a palavra "qualidade" e a logomarca do fabricante; checar data de validade, número do lote, registro no Ministério da Saúde e farmacêutico responsável Na dúvida, ao comprar um medicamento, o cliente deve pedir ajuda ao farmacêutico de plantão, que também é obrigatório em todas as farmácias, para identificar os dados do produto (validade, etc.) e outros esclarecimentos, tais como forma de administração, por exemplo.
O nome deste profissional e seu registro no CRF devem estar escrito em uma placa e exibida em local visível na drogaria.
Guarde sempre o cupom fiscal junto com a embalagem e a cartela utilizada, pois pode ser um comprovante de irregularidade, que subsidiará o cliente mediante uma queixa. Enquanto os impostos não caem e a informalidade não reduz, o melhor amigo do consumidor é sempre a informação.
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