Quem vê Dr. Escolva em apresentação no Hospital Pediátrico Maria Alice Fernandes, localizado na Zona Norte de Natal, nem imagina que por trás daquele momento de travessuras que tanto entretem as crianças internadas e, por tabela, seus parentes e funcionários, existe um propósito bem mais nobre. Após sua última apresentação, ocorrida na semana passada, o palhaço voltou a ser Marcos Martins, 33 anos, que mantém, juntamente com a esposa, Mariana Guimarães, 29, o Consultório de Palhaços. Uma ação de humanização hospitalar, o projeto comemora, este ano, quatro anos em atividade naquela instituição, sem interrupção, e se prepara para ser expandido para outros dois estados.
O ator Marcos Martins, da Cia. Urbana de Teatro, diverte peciente do Hospital Maria Alice Fernandes Foto: Ana Amaral/DN/D.A Press
Um dos projetos da Companhia Urbana de Teatro, com cinco anos de existência, o Consultório de Palhaços não é uma atividade voluntária. Através do patrocínio da rede de postos Ale, a ação se compromete com o hospital duas vezes por mês. "Diferente de uma ação voluntária, nós trabalhamos para que o projeto seja contínuo e não vire apenas uma lembrança", explica Marcos. Segundo ele, acima de tudo, a parceria é com a saúde. "O ócio pode ser preenchido com arte, que é uma das soluções para se integrar à sociedade de uma maneira efetiva", reforçou, citando que o próprio Ministério da Saúde tem sinalizado preocupação nesse sentido ao lançar o Plano Nacional de Humanização.
Longe de ser um número, o Consultório de Palhaços é uma alternativa para amenizar a dor por que passam meninos e meninas internados, visando, sobretudo, uma melhor e mais rápida recuperação. "É uma ação que distrai e diverte o paciente e quem estiver presente", disse a atriz e jornalista Mariana Guimarães. Ela conta que as dificuldades básicas do projeto são divulgar a ação e conquistar patrocínios. "É preciso não se deixar amortecer e estar o todo momento se renovando". Na opinião de Lucineide dos Santos, 33, a visita do Dr. Escolva ajudou a quebrar o clima tenso vivenciado por ela e por sua sua filha, Lidiane dos Santos, de 12 anos, que sofre de diabetes. "Gostamos muito desse momento. O palhaço é muito engraçado", disseram.
A opinião é compartilhada por muitas outras crianças e familiares. "Quero que volte mais vezes", disse Luiz Felipe Oliveira, 7 anos, internado por causa de uma intoxicação alimentar. Sua mãe, Damiana Oliveira, complementa: "Ajuda a esquecer a dor e a passar o tempo". Para Sayonara Florêncio, 33, mãe de Arthur Florêncio, 3 - que passou por uma pequena cirurgia e acabava de receber alta no momento da reportagem -, o projeto pode ajudar na recuperação das crianças. "É maravilhoso. Uma pena que meu filho só tenha visto no final. O projeto é muito bom, assim como o tratamento por parte do hospital, desde o lanche à limpeza", destacou.
Segundo o diretor-administrativo do Maria Alice, José Antônio Barcelos, o projeto é um dentre vários que visam a humanização dos pacientes. "a gente vê na figura do palhaço o quanto as crianças se alegram e no quanto essa alegria proporciona uma melhora. Sem falar que minimiza o estressetambém dos acompanhantes e funcionários".
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Edição de quinta-feira, 2 de julho de 2009
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