O corpo de Soluwellington, passageiro do voo 447, foi embarcado ontem no Recife com destino a Natal
O comandante de embarcações Soluwellington Vieira de Sá, de 40 anos, o único potiguar que estava entre os 228 passageiros do vôo 447 do Airbus A330 da Air France, será enterrado hoje no Cemitério de Mossoró, no Rio Grande do Norte. O corpo de Solluwelington partiu do Aeroporto Internacional dos Guararaps/Gilberto Freyre, no Recife, em direção ao Rio Grande do Norte. Do Aeroporto Augusto Severo, em Natal, até Mossoró, o translado será feito em um carro de funerária. O sepultamento deve acontecer no final da manhã de hoje. Soluwellington era um dos 58 brasileiros a bordo da aeronave da companhia francesa que caiu no Oceano Atlântico há mais de um mês.
Caixão será transportado em um carro funerário entre a capital e Mossoró Foto: Alcione Ferreira/DP/D.A Press
A remoção do corpo do comandante demorou um pouco para ser concluída pois faltaram documentações originais a serem apresentadas ao Instituto de Medicina Legal de Pernambuco. O irmão mais velho, Sólon Henrique de Sá Filho, conhecido como Júnior, foi pessoalmente ao Recife para levar a papelada. Por volta das 14h, o corpo chegou ao Cemitério Morada da Paz, no município de Paulista, na Região Metropolitana do Recife, onde foi embalsamado e permaneceu até a hora do embarque para Natal. Outro irmão da vítima, Soluwilson Vieira de Sá, disse ontem ao Diário de Natal, que a família ainda estava em estado de choque. "Estamos todos muito abalados com essa tragédia", contou.
Soluwilson também lamentou o fato de as buscas não terem localizado os demais 177 passageiros que viajavam no Airbus. "É muito triste para todas essas famílias, que não vão poder enterrar os parentes", disse. Segundo ele, o irmão viajava a trabalho para a cidade do Cairo, no Egito, onde atuava como comandante de uma das embarcações da empresa Geokinectics Geophysical do Brasil Ltda, especializada em pesquisas petrolíferas no mar. "Ele morava há cinco anos com a mulher e duas filhas (de nove e quatro anos) na cidade de Baraúna, a 28 quilômetros de Mossoró. Ficava longe de casa por 45 dias, mas, quando voltava, tinha vinte dias de folga", contou.
Quando partiu no dia 30 do mês passado, ele fez questão de falar com quase toda a família porque iria permanecer mais tempo longe de casa. Só deveria voltar da África no fim do ano. "Antes de partir, conversou com todos nós. Parecia que ele estava se despedindo", comentou Soluwilson. A identificação do passageiro potiguar foi feita por meio de um exame de DNA, cujo material genético foi coletado da saliva dos pais dele, o aposentado Sólon Henrique de Sá e Francisca Vieira. A família soube do desaparecimento do avião por meio do noticiário televisivo. No mesmo dia, a empresa onde Soluwellington trabalhava entrou em contato com os parentes para confirmar a presença dele no voo.
BEA
Os especialistas do Escritório de Investigações e Análises (BEA, em francês) da França, que tentam esclarecer o acidente descartaram que o aparelho tenha explodido em pleno voo. A conclusão consta do relatório sobre o acidente que o órgão apresentou ontem, em entrevista coletiva, na qual anunciou também que continuará a busca pelas caixas-pretas do aparelho até o próximo dia 10.
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Edição de sexta-feira, 3 de julho de 2009
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