A secretária municipal de saúde, Ana Tânia Lopes Sampaio, voltou a falar ontem em calamidade pública na rede de saúde de Natal, durante entrevista coletiva em seu gabinete, convocada para esclarecer a denúncia feita ontem pelo Sindicato de Servidores Municipais (Sinsenat) sobre utilização de produtos vencidos nas unidades da capital. A secretária disse que a denúncia de utilização de água sanitária fora do prazo de validade na unidade de pronto-atendimento do Pajuçara foi a gota d'água para mostrar à população e às autoridades a situação em que se encontra o sistema de saúde e que poderá se agravar ainda mais se não for resolvida a questão do estoque de material e de medicamentos.
Secretaria de saúde apresentou material de limpeza vencido à imprensa Foto: Divulgação
Segundo a secretária, o município não tem sistema de controle capaz de detectar, no estoque, o prazo de vencimento dos medicamentos e produtos, nem tampouco estrutura para recolher os que estão vencidos. "Com isso, o usuário da rede básica está correndo risco de consumir um medicamento estragado ou adquirir uma infecção hospitalar se o serviço de limpeza for feito com produto vencido", alertou, lembrando que o processo de terceirização do estoque voltou à estaca zero depois da decisão do Tribunal de Contas do Estado em desaprovar o contrato realizado entre a Prefeitura de Natal e a empresa TCI-BPO S/A.
A secretária esclareceu que a atual gestão encontrou medicamentos e material de uso geral com prazos de validade vencidos ou a vencer em curto prazo e que, apesar disso, a secretaria não fez o descarte porque a Comissão Especial de Inquérito (CEI), que apura o caso dos produtos vencidosna Câmara Municipal, a Vigilância Sanitária e o Ministério Público recomendaram o não descarte porque todo o material seria analisado durante a investigação. "Mas esses remédios e material estão interditados e guardados desde 2007, no Departamento de Material e Patrimônio e nas unidades que os receberam. A utilização da água sanitária foi indevida e por isso vamos abrir um inquérito administrativo para apurar responsabilidades", assegurou, acrescentando que oproduto não foi comprado na atual gestão.
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Edição de sexta-feira, 3 de julho de 2009
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