Quem nunca abusou de falar ao celular até "ficar de orelha quente"? Mas o uso prolongado do aparelho pode causar câncer ou danos neurológicos como perda da memória ou da capacidade cognitiva? Essas são algumas das teses levantadas a respeito desse aparelho que se tornou indispensável no nosso cotidiano. Muito do que se fala sobre o celular é mito, invenção ou apenas uma dose extra de precaução, fatos não comprovados pela ciência, mas que dominam o imaginário popular. Para esclarecer as dúvidas, a reportagem do Diário de Natal ouviu o professor Adaildo Gomes d'Assunção, 57 anos, do Departamento de Engenharia Elétrica da UFRN, chefe de um grupo de pesquisas sobre microondas e antenas, na área de telecomunicações. Adaildo é associado ao Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Comunicações Sem Fio.
Assunto é cercado de especulações "Existe muita informação científica e muitas especulações sobre os efeitos e danos causados pelo uso do aparelho celular, mas não há comprovação científicade que ele possa causar câncer, por exemplo". Adaildo explica que as ondas eletromagnéticas são divididas entre ionizantes e não-ionizantes. "As primeiras têm a capacidade de alterar a estrutura molecular do indivíduo, quebrando ligações químicas, como ocorre com as ondas de raio- x. Já as microondas utilizadas nos aparelhos celulares são uma faixa de frequência não-ionizante, o que por si só já é bastante tranquilizador porque não há alterações moleculares que poderiam produzir o câncer".
Adaildo não tem medo de falar ao celular, mas recomenda algumas precauções Foto: D Luca /DN/DA Press
Ele explica que a exposição prolongada à radiação, mesmo a não-ionizante, pode causar danos. Isso porque ela provoca efeitos térmicos e não- térmicos. "É o que pode acontecer se alguém for exposto a radiação do forno microondas ou do radar, com risco de sofrer queimaduras ou esterilidade. É a mesma radiação usada nos celulares, mas com uma potência muito maior".
Adaildo ressalta que os níveis de potência utilizados nos celulares são muito baixos, definidos por normas técnicas internacionais. O professor afirma que a ciência se dedica mais a estudar os efeitos térmicos, como o aquecimento de uma região pela exposição prolongada à radiação. "Podemos trabalhar modelos a partir de equações, definindo níveis máximos e mínimos de exposição. Já os efeitos não-térmicos são secundários, relacionados com alterações na pressão, temperatura ou fluxo de sangue do indivíduo ao utilizar o celular. Mas não há comprovação científica porque os resultados são isolados, não se sustentam, pois não se consegue reproduzi- los, criar um conjunto consistente".
Fatos e lendas
- O risco de mandar um posto de gasolina pelos ares ao atender o celular é mínimo. "De fato existe uma perturbação eletromagnética, onde há produção de faísca, mas o risco de explosão é muito pequeno, porque ela precisaria entrar em contato com o vapor da gasolina", afirma o professor Adaildo Gomes d´Assunção.
- O aparelho celular pode sim causar interferência nos aparelhos de UTI, alterando as informações de um eletrocardiograma, por exemplo. Portanto, deve- se mantê-lo desligado nesses ambientes.
- Apesar de esquentar a orelha, a quantidade de calor produzida pelo celular não é capaz de fritar um ovo ou fazer pipoca, como se divulga.
- Os aparelhos de celular estão sujeitos à vírus de computador, por meio do download de conteúdo malicioso, por Bluetooth ou MMS. Entre os efeitos estão o aumento do consumo de bateria e a desabilitação da linha.
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Atualizado em 28|06|2009
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