Inovação é uma dessas palavras muito citadas no mundo corporativo que são cercada de mitos. Muitas pessoas imaginam logo uma quebra de padrões, uma mudança radical na criação de produtos, como é o caso da Apple, multinacional da informática. Com o intuito de quebrar essa imagem, o Sebrae organizou ontem no HSBC Brasil, em São Paulo, o workshop "Desafios do crescimento: inovação nas pequenas empresas", inclusive mostrando casos de duas empresas nordestinas, uma delas potiguar.
Evento em São Paulo mostrou experiência potiguar entre os casos de sucesso Foto: Pablo de Sousa/Divulgação
Ao todo, o Sebrae vai investir R$ 300 milhões por ano para incentivar a inovação nas PME (pequenas e médias empresas). A essência do evento girou em torno da noção do empresário sair da condição de espectador e ter coragem de enfrentar novas situações, sensações e experiências, com consultores do Sebrae debatendo sobre conceitos e processos de inovação. "Inovar não necessariamente custa caro nem é coisa para cientista", diz Carlos Américo Pacheco economista da Unicamp.
Ele tambémdiferenciou invenção de inovação. "Não são as mesmas coisas. O pendrive, por exemplo, é uma invenção que não é uma inovação, pois já existia o disquete. Mas se você coloca um relógio nele, podemos considerar uma inovação", fala Pacheco. Na mesma linha, o economista da Universidade Federal Tecnológica do Paraná e também consultor do Sebrae, Hélio Gomes de Carvalho, diz que a inovação não diz respeito apenas à criação de novos produtos e o conceito pode ser ampliado para processos administrativos, de cortes de custos e de marketing. "Mudar o layout de uma página na internet ou a identidade visual de uma confecção podem sim serem incluídas em um espectro mais amplo de inovação", exemplifica.
O diretor executivo da Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento nas Empresas Inovadoras (Anpei), José Miguel Chaddad, explica que em determinadas ocasiões a inovação pode até não ser uma novidade para o mercado, mas somente "para ela própria". "Não importa se a mudança já tenha sido adotada pela maioria da concorrência. O importante é que ela entra na onda de mudanças e depois faça ajustes incrementais".
Um dos casos apresentados no evento foi o do empresáro potiguar Rossini Ranier Dantas de Arruda, proprietário da Infosot, que comercializa produtos e serviços de informática. Ele diz que o Sebrae ajudou a sistematizar os processos de inovação de sua empresa, organizando melhor o lançamento de um produto. "A gestão de novas ideias estava bem solta na empresa. O Sebrae auxiliou na condução do processo de criação de um novo computador", diz ele, que desenvolveu um computador que também contém TV, DVD e karaokê.
l O repórter viajou a convite do Sebrae
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Edição de sexta-feira, 3 de julho de 2009
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