Colunas Edição de sexta-feira, 24 de julho de 2009
Opinião
Calendário de escola pública
Cláudia Santa Rosa - Educadora - Instituto de Desenvolvimento da Educação (IDE)
Proponho uma breve reflexão sobre as possibilidades de superação da cultura de fracasso que impõe, ano após ano, dificuldades para algumas escolas públicas e secretarias de educação conceberem, de maneira tranquila e funcional, os seus calendários letivos - caracterizado pelos dias de realização de atividades em que estejam envolvidos alunos e professores -, as agendas de reuniões para planejamento e avaliação, bem como à formação continuada dos profissionais, a exemplo do que fazem algumas instituições, especialmente as da rede privada. Arrisco, pois, sugerir, com uma antecedência de seis meses, datas e períodos, na expectativa de contribuir com a preparação do ano letivo de 2010.
O calendário é um emblema. Na verdade, urge esclarecer que evoco o planejamento e execução das atividades que garantam as condições adequadas - instalações físicas, (re) composição e formação das equipes, aquisição e/ou manutenção de equipamentos, mobiliários e materiais didáticos - para a escola cumprir a sua função social, sem alinhavos, retardamentos ou interrupções. As idéias aqui aduzidas têm origem na constatação da baixa capacidade de alguns sistemas anteciparem percursos e cumprirem metas. Tal realidade se reflete, aqui e acolá, por exemplo, quando o começo das aulas acontece apenas no mês de março, ou seja, cerca de trinta dias de atraso em relação às escolas privadas, gerando desvantagem, baixa auto-estima dos alunos e sentimento de inferioridade.
Não bastasse, no Rio Grande do Norte, uma greve dos profissionais da educação estadual, que o diálogo poderia ter evitado, levou boa parte das escolas para iniciarem o ano letivo de 2009 apenas no dia 07 de abril. A paralisação obteve a adesão de professores de escolas municipais de Natal que interromperam as aulas iniciadas em meados de fevereiro. Todavia, não são apenas as greves que se configuram como problema. Entre as mazelas, destaca-se a prática da contratação de professores às vésperas das aulas começarem ou próximo de se encerrarem, deixando um rastro de improvisação amalgamada à gestão da escola estatal. Em patamares elevados, a burocracia surge, também, como vilã e, em nome dela, os gestores justificam reformas em prédios escolares em quaisquer épocas do ano letivo. É inacreditável, mas alunos chegam ao mês de julho sem ter um dia sequer de aula. A propósito, recentemente, um dos jornais potiguar repercutiu o caso de uma escola municipal de Natal que ainda não iniciou o ano letivo e sequer consegue divulgar a data que irá fazê-lo.
Não fosse o quadro ora aduzido, seria dispensável recordar o óbvio: a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional determina que o calendário letivo tenha, no mínimo, 200 dias de efetivo trabalho. Portanto, são dias que não devem ser subtraídos em favor do tempo para encontros pedagógicos, fato que tem gerado insatisfações e quase nenhuma orientação formal que preserve os encontros da equipe sem penalizar o tempo dos alunos. Tacitamente o debate carrega a idéia do profissional de contrato vitalício para trabalhar somente os 200 dias e as quatro horas diárias, uma lógica merecedora de ser revisada.
Por fim, compartilho dados de uma tarefa que dediquei atenções: contei os dias no calendário de 2010, com o propósito de montar um Calendário Escolar. Foi muito fácil pensar o período de 01 a 05 de fevereiro para formação continuada e planejamento do 1º semestre; 08 de fevereiro início do ano letivo; de 23 de junho a 12 de julho o recesso dos alunos; de 05 a 09 de julho a formação continuada e planejamento do 2º semestre. Sem sábados letivos e apenas um sábado mensal para encontros pedagógicos, o ano letivo terminaria no dia 20 de dezembro. Antes do Natal, de 21 a 23 de dezembro, a escola avaliaria o ano que está terminando, planejando as grandes ações para o ano seguinte. Contudo, ainda estariam preservados 40 dias de férias. É simples assim, mas requer gestão firme, planejamento e capacidade de realização.
Leia menos, reflita mais
Jerônimo Lima - Diretor do Instituto Brasileiro de Consultores de Organização -www.ibco.org.br
Vivemos numa sociedade saturada e poluída de informações, na qual o poder está nas mãos de quem as detém. Associado a isto, há um aumento dramático da doença da moda, a síndrome da ansiedade de informação, caracterizada por uma tendência a se ler tudo sobre tudo. É fácil entender a síndrome: quando a quantidade de leitura consumida é superior à quantidade de energia disponível para sua digestão, o excesso se acumula convertido em stress e overdose de estímulo até o estado doentio. As formas mais comuns de manifestação da doença são a frustração gerada pelo volume, a decepção com a qualidade dos conteúdos, a sensação de saber pouco e tarde demais. Fique atento aos sinais da doença: demora a se "desligar" das atividades, mesmo quando está fora delas; queda da produção no trabalho e/ou nos estudos; distúrbios de sono; agitação, irritabilidade, fadiga, dores musculares e lapsos de memória. Faça um teste para ver se a contraiu em www.wrcinfo.com.br/testes.asp .
Após assistir o Dr. Ryon Braga ( www.aprendervirtual.com ) falar sobre o tema, refleti se devia me vangloriar ou me criticar por ter lido pelo menos um livro por semana, por mais de 20 anos. Concluí que todos nós, generalistas itinerantes, intelectuais curiosos, maníacos por leitura e estudantes de mestrado e doutorado, não precisamos digerir essa avalanche literária que nos é imposta. Passei a escolher mais criteriosamente o que ler pela relevância do conteúdo para minha vida e trabalho, praticidade e consistência. Menos leitura com mais qualidade é melhor para adquirir conhecimento. Para entender melhor isto, leia "Ansiedade da Informação", de Richard Saul Wurman, e o artigo de Rubem Alves "O prazer de ler: sobre leitura e burrice", em "Entre a Ciência e a Sapiência: O Dilema da Educação".
Para não ficar doente, faça um plano de leitura com grupos de assuntos específicos. Uma vez adaptado e no seu controle, modifique-o para incluir ou excluir alguma fonte, quando necessário. E compre o Copernic Agent Professional ( www.copernic.com ) por US$ 79. É o que há de melhor para pesquisar na Internet. Caso realmente precise encontrar um livro esgotado, procure em www.livrosdificeis.com.br.
Em seu Plano de Leitura, coloque jornais no grupo I. Leia um por dia, antes do trabalho. Se preferir, faça isto via web em www.thepaperboy.com . Escolha um jornal de ampla cobertura, com cadernos sobre temas variados. Melhor: assine o serviço Informa Brasil (www.informabrasil.com.br ), pelo qual é possível ler as notícias em mais de 400 jornais e revistas em um único informativo totalmente personalizável.
Por fim, no grupo IV, os livros. Como preparação para a leitura, adquira um ótimo dicionário, como o Houaiss ( www.dicionariohouaiss.com.br ), em cd-rom. Leia um livro por bimestre, alternando um de sua área de atuação com outro que não seja, dando preferência aos clássicos e aos mais indicados pelas livrarias Cultura (www.livcultura.com.br ) e Amazon ( www.amazon.com ).
Agora, o mais importante: seu plano de leitura tem de ter alguma ação específica para transformar conhecimento em capital intelectual. Isto vai acontecer se você fizer uma profunda reflexão do que ler. Reflexão significa "concentração do espírito sobre si próprio". Isto é, pela reflexão, suas idéias e sentimentos consideram as observações que resultam de intensa cogitação, traduzindo-se assim numa virtude que evita a precipitação de juízos, a imprudência e a impulsividade na conduta, fazendo de quem reflete uma pessoa menos paradigmáticae mais aberta. E ande sempre com um bloco de anotações e uma caneta ou use seu celular/PDA para registrar os insights provenientes de suas leituras e reflexões. Assim vai conseguir criar projetos de melhoria para sua vida e trabalho.
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