Se existe uma coisa certa na vida do professor aposentado Dalton Melo de Andrade, 79, é a compra de um computador novo a cada ano. O fato é comemorado na família, especialmente pelos netos que são presenteados com computadores de última geração. Diferente da maioria dos idosos, que têm dificuldade com tecnologia, ele fala com facilidade sobre Internet e linguagens dos micros.
Aos 79 anos, Dalton desliza afiado por sua lista de e-mails num moderníssimo I-Mac Foto: Ana Amaral /D.A Press
Um fator foi diferencial para despertar o interesse: o rádio amador. Em 1958, quando descobriu essa paixão, ele fazia as antenas utilizadas para ouvir estações amadoras, porque não podia comprar. "Depois disso acompanhei a evolução da tecnologia e agora tenho licença expedida pela Anatel", orgulha-se.
O equipamento usado para captar as estações também mudou bastante. Agora com apenas um clique no computador ele pode ouvir rádios amadoras de qualquer parte do mundo. "Gosto mesmo de uma do Canadá porque ouço música clássica a qualquer hora". Uma das diferenças mais perceptíveis da vida apóso computador, na opinião de seu Dalton, é a agilidade. "Agora é muito mais simples. Com um clique apago algo que escrevi e posso refazer dezenas ou centenas de vezes até perceber que está como desejo", afirma.
Entretanto, há aqueles que ainda mantêm antigos hábitos. O jornalista Ubirajara Macêdo, 89, não tem vergonha de assumir que ainda é dependente da máquina de escrever, sua companheira ao longo de décadas nos diversos veículos de comunicação pelos quais ele passou. "Quando estava me aposentando os computadores foram incorporados à rotina do jornalismo em Natal, por isso não me preocupei em aprender", lembra.
Mas ele pensa seriamente em aderir à mania mundial. "Fiz umas aulas de computação, mas não resolveu porque não tive interesse suficiente. Agora estou com um problema na visão que está me impedindo de ver as letras na máquina. Como no computador, posso aumentar o tamanho e vai ser mais fácil, por isso vou contratar um professor particular. Além do mais, não quero ficar sendo apontado pelos amigos comoo único que não utiliza o computador", brinca.
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Edição de domingo, 26 de julho de 2009
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