Para psiquiatra, "fenômeno social" também gera crimes
Médico psiquiatra da Polícia Militar, o tenente Epitácio de Andrade Filho considera que o trabalho do PM é "potencialmente patogênico", ou seja, pode gerar no indivíduo várias doenças, inclusive mentais. Segundo ele, o estresse causado pela profissão pode desencadear alterações psicopatológicas como transtornos de ansiedade, depressões, transtornos devido ao uso de álcool ou de outras drogas, até casos de psicose.
Contudo, para o psiquiatra, os crimes passionais não são exclusividade da corporação. Sua opinião é de que essa modalidade de crime tem de ser vista de uma forma transdisciplinar, como fenômeno social que ocorre em várias partes do mundo. "Isso está relacionado às mudanças paradigmáticas que a sociedade atual vivencia. Uma dessas mudanças é a quebra da hegemonia masculina, ou seja, a reversão da dominação do macho". Segundo o tenente, a principal causa desses crimes é que alguns homens não conseguem suportar o novo lugar ocupado pela mulher na sociedade atual.
Epitácio Filho declara que é o único policial psiquiatra no quadro da PM no estado. Ele responde tanto pela parte assistencial para policiais que não estão sendo acompanhados pela junta médica, como também pela parte da perícia. Além disso, a corporação dispõe de dois psicólogos civis que prestam assistência no Centro Clínico da PM, localizado no Alecrim.
Uma das principais ações preventivas desenvolvidas com os policiais militares, segundo o tenente, é prestado pelo Centro Integrado de Apoio Social ao Policial (Ciasp), composto por uma equipe de psicólogos, assistentes sociais e outros profissionais. "Ainda através das assistentes sociais do centro clínico, procuramos manter um contato permanente com os oficiais das companhias e batalhões sobre a situação de cada policial".
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Edição de domingo, 26 de julho de 2009
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