Instalada em Mossoró e já com seleção aberta para as 500 vagas, Porcellanati será a maior da América Latina no segmento
Emídia Felipe // emidiafelipe.rn@diariosassociados.com.br
Quase dez anos depois da primeira atração que a catarinense Itagres sentiu pelo Rio Grande do Norte, a unidade fabril do grupo em Mossoró entrará em operação comercial em pouco mais de quatro meses. Parece que valeu a pena esperar, tanto para a empresa quanto para o estado. A nova fábrica, a Porcellanati Revestimentos Cerâmicos, será a maior produtora de porcelanato da América Latina, trará 500 postos de trabalho e vai fazer a produção do grupo saltar de oito milhões para 21,2 milhões de metros quadrado do piso especial por ano.
Equipamentos de grande porte sendo instalados na Porcellanati Revestimentos Cerâmicos no início da montagem Foto: Itagres/Divulgação
As máquinas que vão fabricar o porcelanato já começaram a chegar da Itália. Mais de 250 contêineres trazem os equipamentos importados que vão montar a única fábrica da Itagres no Nordeste. A primeira nota fiscal está prevista para ser emitida em dezembro. "O cronograma está em dia", assegura o diretor geral do grupo, John Victor Mueller, em entrevista exclusiva ao Diário de Natal. Segundo ele, somente uma intempérie pode abalar ocalendário de instalação.
Dois meses antes da operação comercial, em outubro, a fábrica será ligada para a "prova em vazio", termo do jargão industrial que singnifica o início de testes para ajustes antes da produção. Na segunda quinzena de novembro as matérias-primas começarão a ser processadas e, em dezembro, a indústria começa a vender sua mercadoria, principalmente para o exterior.
O grupo se interessa pelo RN desde 2000 e, depois de estudos preliminares, em 2003 oficializou sua intenção de operar no estado. De lá para cá, já foi notícia mais de uma vez, como em 2007, quando obteve financiamento de R$ 49,7 milhões com recursos do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE). No ano passado, a imprensa mossoroense noticiou a impaciência de vereadores e a desconfiança deles em relação à concretização do projeto. Mas, agora, Mueller espera que o tom das notícias mude, com a proximidade do início das operações e os vultosos números que as envolvem. Com capacidade para 13,2 milhões de m² de piso por ano - parase ter uma ideia, esse volume é o suficiente para cobrir mais de 1,5 mil campos de futebol com porcelanato - a indústria é fruto de um investimento que está calculado em R$ 115 milhões. Serão gerados 500 empregos diretos além de um sem número de indiretos.
Mueller explica que o redimensionamento - antes a previsão era de um terço da produção atual e menos da metade dos empregos - foi um dos motivos da demora de seis anos entre o protocolo de intenções e o início de funcionamento da fábrica. Além disso, houve problemas com o fornecedor anterior das máquinas, que acabou sendo trocado pelo atual. Segundo o diretor, afora esses dois contratempos, nada mais atrapalhou o calendário de instalação. Nem mesmo a crise econômica mundial ou o licenciamento ambiental - item essencial à boa convivência entre as indústrias e o meio ambiente mas que "assombra" boa parte das empresas. "Não tivemos qualquer problema desta ordem (ambiental)", garante. Licenciada e em montagem, a fábrica entra na fase de seleção de pessoal.
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