A estratégia de defesa do governo Lula foi pensada no final da administração de George W. Bush. Com a eleição de Barack Obama, o belicismo dos EUA arrefeceu. No Exército, à mingua, há amplo apoio ao projeto do submarino nuclear da Marinha, mas não à compra de caças de última geração. Os Super-Tucanos e o avião-radar RC-99, fabricados pela Embraer, seriam suficientes para as necessidades reais do país.
Missão francesa
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu fechar o pacote de compra de armamentos com a França, no valor de E$6,7 bilhões (euros). O acordo envolve a compra de quatro submarinos convencionais, a transferência de tecnologia para construção do submarino nuclear brasileiro, um novo estaleiro, nova base naval na baía de Sepetiba (RJ), além da fabricação de helicópteros. Será assinado em 7 de setembro, por Lula e o presidente francês Nicolas Sarkozy, que virá ao Brasil e participará das comemorações do Dia da Independência.
No Ocidente, a França é a única que tem autonomia e competitividade tecnológica em relação aos Estados Unidos, ao contrário de Inglaterra, Alemanha e Japão. Sarkozy vê a parceria com o Brasil como a oportunidade de construir um novo eixo geopolítico na América Latina, África e mundo árabe, sem a Rússia e a China.
Dissuasão
A cúpula das Forças Armadas apoia a parceria estratégica com a França. A presença militar crescente dos Estados Unidos na Colômbia e a memória da Guerra das Malvinas, na qual os EUA deram apoio logístico à Inglaterra contra os argentinos, levaram os militares a se preocupar seriamente com a necessidade de adquirir maior "poder de dissuasão". Isso vale para os vizinhos e, cá entre nós, para os Estados Unidos. É aí que entra a transferência de tecnologia militar francesa.
Rafale
O projeto F-X2 da Força Aérea Brasileira está fora do acordo com a França, mas nada impede que possa entrar, como pleiteia Sarkozy. A FAB pretende adquirir 36 aviões de caça de última geração, que podem chegar a US$ 5,4 bilhões. A Dassault francesa disputa a licitação com a norte-americana Boeing (F-18 Super Hornet) e a sueca Saab (Gripen NG), que faz propaganda do seu vistoso protótipo no Aeroporto de Brasília. No próximo mês, o comandante da Força, Juniti Saito, entregará a decisão a Jobim. A escolha será política, não apenas militar.
Sabático
Preferido da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), para assumir a Secretaria de Assuntos Estratégicos, o interino Daniel Vargas voltará ao doutorado na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. Vai atrás do seu professor, o ex-ministro Mangabeira Unger, que retomou a vida acadêmica.
No cafezinho
Sabático/ Preferido da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), para assumir a Secretaria de Assuntos Estratégicos, o interino Daniel Vargas voltará ao doutorado na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. Vai atrás do seu professor, o ex-ministro Mangabeira Unger, que retomou a vida acadêmica.
Acalanto/ O presidente Lula resolveu dar mais atenção ao ex-ministro da Integração Nacional Ciro Gomes, a quem considera um aliado estratégico para a eleição de 2010. Seu esforço está diretamente relacionado às dificuldades da aliança PT-PMDB. Lula aposta na candidatura de Ciro ao governo de São Paulo como quem vai à caça dos tucanos com gato, mas ainda não o descarta como vice de Dilma Rousseff caso o PMDB, dividido, não feche a coligação nacional.
Trapalhões/ No Rio Grande do Sul, Acre, Pernambuco, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina, a aliança com o PMDB é praticamente impossível. No Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná, o PT atrapalha mais do que ajuda a construção das alianças com o governador Sérgio Cabral, o ministro das Comunicações, Hélio Costa, e o vice-governador do Paraná, Orlando Pessuti. O diagnóstico é do ex-ministro José Dirceu, uma eminência parda nas articulações pró-Dilma.
Esticada/ O governador do Distrito federal, José Roberto Arruda (DEM), aproveitou a viagem a São Paulo, para assinatura do contrato de financiamento dos novos vagões do metrô de Brasília, e deu uma esticada até o Rio de Janeiro. Direito à praia do Leblon e a caminhada no calçadão de Ipanema com a primeira dama Flávia Arruda.
Satélite/ A Agência Espacial Brasileira (AEB) busca parceria privada para financiar a construção do satélite geoestacionário nacional, que deve permitir ao país autonomia, por exemplo, em comunicações militares. Custo: R$ 600 mi
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Edição de domingo, 26 de julho de 2009
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