Cidades Edição de quarta-feira, 2 de setembro de 2009
Mais risco de afogamento
Afastamento de bombeiros compromete serviço de salva-vidas. Criançada merece atenção especial
Entre janeiro e agosto deste ano o Grupamento de Busca e Salvamento (GBS) do Corpo de Bombeiros do Rio Grande do Norte registrou 80 ocorrências, sendo dois óbitos. Uma média de 10 afogamentos por mês. O número é inferior aos dados do ano passado em que foram registrados 187 ocorrências, uma média de 15 ocorrências por mês. Entretanto, os dados não significam uma menor quantidade de afogamentos, mas sim de registros. O problema, segundo o major Luiz Monteiro, comandante do GBS, nessa diminuição no número de casos contabilizados se deve ao fato de ter havido uma diminuição da área de atuação do grupo nos últimos anos. "Cerca de 100 bombeiros pediram afastamento por diversos motivos. Então com essa diminuição no efetivo estamos com uma menor área de cobertura. Tivemos que redimensionar nossa área de atuação. Na baixa estação ficamos entre as praias de Búzios (Nísia Floresta) e Redinha (Natal) e na alta estação colocamos equipes de Camurupim (Nísia Floresta) a Genipabu (Extremoz)", explica.
Crianças brincam na Redinha, praia do litoral Norte de Natal que ainda faz parte da área de cobertura dos Bombeiros. Pais também devem ficar sempre atentos Foto: Ana Amaral/DN/D.A Press
O comandante acrescenta que os afogamentos ocorridos nos trechos onde não há cobertura fixa de equipes do Corpo de Bombeiros não entram para as estatísticas da corporação. "Muitas pessoas são salvas por pescadores e populares, porém esses casos não são acrescentados nos dados do GBS. No Rio Grande do Norte cerca de 60% dos óbitos por afogamentos ocorrem na água doce e as crianças são as maiores vítimas. Segundo o comandante, "grande parte dos afogamentos ocorrem em águas salgadas devido às correntezas. Contudo, a água doce mata mais rápido porque a vítima não consegue boiar por muito tempo", declarou.
Clubes
O descuido dos pais ou responsáveis e a falta de redes de proteção nas piscinas das associações e clubes são algumas das grandes causas de mortes por afogamentos. O major acrescenta que são poucos os locais que oferecem segurança aos visitantes e sócios.
A presença de um salva-vida na Associação Atlética Banco do Brasil (AABB) poderia ter salvado a vida de Ana Tereza Jácome de Oliveira, 11. De acordo com o funcionário públicoestadual Soélio Oliveira da Silva, pai da menina, Ana se afogou na piscina do clube e não havia salva-vida para reanimá-la. "Pedi ajuda a um rapaz que se encontrava lá no momento e fizemos respiração boca-a-boca. Levamos Ana ao hospital, mas 20 minutos depois os médicos constataram que o falecimento. Talvez se o clube oferecesse um guarda-vida minha filha pudesse se salvar", argumenta.
O pai da menina resolveu impetrar uma ação contra a AABB. Soélio ganhou a causa na primeira e segunda instâncias, mas o clube recorreu. "Estamos aguardando o desfecho do processo. Espero que tudo isso termine logo porque é uma dor muito grande. Até hoje fazemos acompanhamento com psicólogo. Tive depressão e resolvi voltar a estudar para ocupar o tempo ocioso", declarou.
Questionado sobre a falta de guarda-vidas nas associações e clubes que oferecem piscinas aos sócios, o comandante Monteiro afirmou que não existe uma legislação específica sobre o tema no país. "Existem vários projetos, mas nada ainda foi concretizado. Os locaisque oferecem salva-vidas é porque têm histórico de afogamentos", disse.
Clique na imagem para
vê-la maior
Edição de quarta-feira, 2 de setembro de 2009
Edições anteriores
Selecione a data do
Diário que você
deseja visualizar
Copyright
- Diariodenatal.com.br | todos os direitos reservados. É proibida
a reprodução parcial ou total do conteúdo
desta página sem a prévia autorização |
redacao.rn@diariosassociados.com.br