Cidades Edição de quarta-feira, 2 de setembro de 2009
Vigilantes mirins // Estudantes aprendem a preservar
Andrielle Mendes // Especial para o Diário de Natal
Posso jogar lixo na rua? A resposta é um sonoro não, dito por 20 "vigilantes mirins" da Escola Municipal Professor Luiz Maranhão Filho, localizada no bairro Cidade Nova na Zona Leste de Natal. Ontem os vigilantes mirins tiveram um dia diferente. Depois de uma palestra sobre meio ambiente e problemas ambientais, os alunos percorreram as ruas do bairro para identificar e fotografar pontos de risco dentro da comunidade. A atividade é resultado de uma parceria entre a Secretaria Municipal de Saúde e uma equipe da Vigilância Sanitária, que realiza durante esta semana uma série de ações em diversos bairros de Natal.
Viviane, 11 anos, já sabe a importância de separar o lixo reciclável do orgânico Foto: Maria Iglê/Especial/DN/D.A Press
As ações educativas realizadas durante esta semana são apenas parte de um longo processo envolvendo equipes de professores das escolas, da Coordenadoria de Vigilância Sanitária e um grupo de estudantes da rede pública de ensino. Na escola Luiz Maranhão Filho, um grupo de 50 alunos do 4° ao 6° ano participou de oficinas de capacitação durante o ano.
Temas como lixo, meio ambiente e coleta seletiva foram discutidos durante seis encontros com a equipe de vigilância sanitária dentro da sala de aula. Na seleção dos alunos dentro da escola foram levados em consideração a frequência escolar, pontualidade e o fato de não participar de nenhum outro projeto do governo. Além disso, para esta capacitação foram selecionados crianças e adolescentes com interesse em discutir temas de saúde pública e qualidade de vida.
"O projeto é importante porque transforma as crianças em propagadores das informações repassadas aqui na escola", afirma o coordenador pedagógico da Escola Municipal Professor Luiz Maranhão Filho, Adilson Alves Bezerra. Segundo Adilson, as crianças tentam mudar a própria realidade depois que adquirem conhecimento. "O projeto tem como finalidade trabalhar a conscientização da criança sobre a questão do meio ambiente para buscar maior qualidade de vida", explica. Para o coordenador pedagógico do Luiz Maranhão, o projeto transforma a criança em agente dentroda própria comunidade, além de mostrar que ela é co-responsável pelos problemas existentes e que pode transformar a sociedade.
Lição
A vigilante mirim Viviane Estevão Marques, 11 anos, aprendeu bem a lição. Durante a primeira palestra com a equipe de vigilância sanitária no ínicio do ano, ela aprendeu a importância de separar os materiais recicláveis dos orgânicos. Para a estudante, separar materiais recicláveis e participar da coleta seletiva melhora em tudo. "A gente não sofre hoje, mas vai sofrer mais tarde. A gente não pode pensar só no hoje, tem que pensar no futuro", ensina. Na casa de Viviane, a lição já está sendo colocada em prática. "Aprendi que tem que respeitar a coleta seletiva e que não pode jogar lixo na rua".
Adilson Bezerra acompanha o processo desde o ínicio e aponta os fatores socioeconômicos do bairro Cidade Nova como critérios para escolha da escola. "Um outro fator que pode ter contribuído para a escolha da escola é que aqui existia o antigo lixão", relata.
Hoje, não há mais lixão a céu aberto em Cidade Nova. Mas ainda é possível observar lixo acumulado em inúmeros pontos do bairro e a situação de pobreza vivenciada por parte da população. Atentos aos problemas ambientais da comunidade, o grupo de vigilantes mirins percorreu o bairro para realizar junto a equipe de vigilância sanitária um mapeamento diagnóstico.
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