Colunas Edição de quarta-feira, 2 de setembro de 2009
Editorial
Um grande desafio
Não faz muito tempo, veio ao conhecimento público um importante documento. Estamos nos referindo ao Relatório de Metas do Desenvolvimento do Milênio, apresentado em Genebra pelo secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, perante o Conselho Econômico e Social da instituição.
Esse relatório expõe um quadro desfavorável e contém projeções inquietantes a respeito, apelando à comunidade internacional em prol de esforços para, dentro do possível, revertê-lo ou ao menos reduzir seus efeitos.Os dados alinhados no discurso que proferiu na oportunidade e a estimativa nele contida indicam que a recessão mundial reverteu 20 anos de declínio da pobreza mundial, revelando ainda que, "em 2009, entre 55 a 90 milhões de pessoas, a mais do que o previsto antes da crise, estarão vivendo em extrema pobreza".
Isto significa que 17 por cento dos 6,8 bilhões de habitantes do mundo estarão classificados como extremamente pobres até o fim do corrente ano, diferentemente do previsto no programa aprovado hádez anos pela ONU e pelos países que a integram, para conduzir países pobres ao desenvolvimento até 2015.
O que se constata, por outro lado, como o documento colocou de forma clara, é que "o recente declínio na ajuda externa - apesar das promessas de países ricos de aumentar o fluxo de recursos - provavelmente vai causar mais doenças e agitação social no hemisfério sul". Por isso mesmo, o secretário-geral fez um apelo ao G8 (grupo dos setes países mais ricos e Rússia), o qual se reunirá a partir de amanhã em Áquila, na Itália, para ampliar a ajuda, especialmente à África, afirmando mesmo que "a credibilidade do sistema internacional depende do quanto os doadores oferecerem".
A seu ver, e como acrescentou, "a decência humana e a solidariedade global exigem que nos mobilizemos pelos mais pobres e mais vulneráveis entre nós".É significativo a esse respeito, conforme foi citado, que os compromissos do G8 de aumentar as ajudas financeira e técnica aos países em desenvolvimento, de acordo com as Metas do Milênio,para US$ 50 bilhões até 2010 (metade desse montante para a África), está agora ao menos US$ 20 bilhões abaixo da meta estabelecida.
Isso retrata nitidamente os descompassos existentes no fluxo de tais recursos, comprometendo inevitavelmente, como arguiu o secretário-geral da ONU, o atendimento de quantos deles necessitam para resgatá-los de um nível de pobreza abaixo dos padrões mínimos de sobrevivência, condizentes com a própria dignidade humana. Ainda recentemente, por sinal, a FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura), alertara também que "o aumento da insegurança alimentar que aconteceu em 2009 mostra a urgência de encarar as causas profundas da fome com rapidez e eficácia".Eis o grave dilema com o qual, afinal de contas, a humanidade se defronta, a exigir, como adverte a ONU a conjugação de esforços em todos os níveis e o empenho para superar esse desafio.
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