Colunas Edição de quarta-feira, 2 de setembro de 2009
Opinião
Aquela estrela pendurada lá no céu
Ciro Pedroza - Jornalista
Foi tudo muito rápido. Da notícia da descoberta da doença, da internação em estado grave, da passagem para a outra vida, eterna. Tal qual um passarinho cantador, que lhe emprestou o nome e o dom, Tico bateu asas e voou, deixando aqui na terra uma legião de amigos e fãs, admiradores de sua arte e de sua gentileza.
A gravidade da doença o isolou de nosso mundo num quarto de hospital. Justo ele que celebrava a vida a cada encontro, a cada abraço, a cada sorriso. Justo ele que gostava das coisas da rua, das cores, dos sons, das pessoas... Imagino o quanto ele sofreu. Só.
Sempre que nos víamos, sorríamos e nos abraçávamos como se nos conhecêssemos desde sempre. Nutríamos uma admiração recíproca. A última vez que o encontrei, pessoalmente, foi em outra despedida, a da mãe de Sérgio Farias, um outro mestre da nossa música e do violão, como Tico.
Nos avistamos em meio ao campo santo, cheio de calma e saudade, entre o gorjeio dos passarinhos e a melodia do vento, nos abraçamos e sofremos juntos com a dor dos amigos que perdiam parte de sua vida naquele momento. Antes disso, encontrei-o em um evento e conheci seu último disco, um de borboleta colorida na capa.
A primeira vez que vi seus discos, ainda long-plays, foi nos tempos da Universidade. A pressa adolescente de quem quer dividir seu tempo entre tantas missões [UTF-8?]â#" aprender uma profissão, desvendar os mistérios do conhecimento e mudar o mundo [UTF-8?]â#" não me permitiu parar para ouvi-lo com a merecida atenção.
Redescobri sua música anos depois, quando ele desembarcou por aqui, como os tantos marinheiros mercantes de sua terra de Areia Branca, vindo de uma longa e vitoriosa temporada pelo estrangeiro. Vinha para ficar.
Nos conhecemos numa noite e no dia seguinte já combinamos de sair para tocar juntos, na casa de um novo amigo comum. E nunca mais deixamos de nos reconhecer. Tico apresentou-me as músicas e me deu um CD de presente. Coisa aparentemente simples, bem feita, pura como a boa música que ela fazia, limpa como o violão que eletocava, com apurada técnica e sensibilidade à flor dos dedos.
De tanto ouvi-lo, aprendi muitas de suas canções e compreendi seu estilo de tocar e de cantar, feito um passarinho novo, dividindo a atenção de quem o ouvia com seu eterno companheiro de vida e de estrada, o violão.
Assim, ele nos emocionava, cantando coisas simples, tocando harmonias complicadas de forma delicada, fazendo-as soar quase singelas. Sua música expressava essa emoção. Que o diga Ana Bandolim (uma brincadeira com a cunhada que virou uma pérola de seu cancioneiro e um dia encantou admiradores como Phillip Glass, entre tantos outros).
Gostava muito de ouvir uma música dele que comparava "aquela estrela pendurada lá no céu"a um "pirulito embrulhado num papel". Mais que uma rima, quase coisa de criança, obra de quem sempre teve sensibilidade de criador.
Tico partiu deixando para nós sua música, sua história, sua alegria, sua gentileza e uma saudade do tamanho do mar que sempre o encantou. Feliz hoje, só o Homem lá de cima que pode ouvir a música de Tico ao vivo, ao pé do ouvido, como o solfejo de um anjo cantador.
Outro dia, sem que esperasse, recebi uma mensagem dele, via Orkut. Hoje devolvo-lhe as palavras que ele me escreveu: "Você é o cara! O criador de qualquer universo em que seus olhos se detêm. Que bom tê-lo como amigo e saber-me criado pela sua bondade de coração de poeta. Abração! Natal lhe espera"... Obrigado por tudo, obrigado por você, Tico.
A Petrobras não pode parar
Carlos Maurício de Paula Barros - Presidente da Associação Brasileira de Engenharia Industrial (Abemi)
Nos últimos 10 anos, a engenharia industrial brasileira reconquistou, a duras penas, a capacidade perdida ao longo das duas décadas passadas, quando foi quase dizimada, pela falta de investimentos. Nesta retomada, a engenharia industrial brasileira deve muito à Petrobras, que desempenhou um papel fundamental, pelo sempre crescente volume de seus investimentos e, principalmente, por acreditar na engenharia brasileira.
A exigência contratual de conteúdo nacional mínimo na execução de seus empreendimentos deu segurança para que as empresas fizessem investimentos em pessoal e equipamentos, resultando em capacitação e na recuperação da competitividade perdida no passado.
Hoje o setor gera mais de 200 mil empregos diretos e lidera programas de formação de pessoal, que visam capacitar mais 360 mil trabalhadores especializados até 2011, para fazer frente aos novos investimentos anunciados pela Petrobras inclusive nopré-sal. Na contramão da crise mundial, que congelou os novos projetos, a Petrobras anunciou aumento de 55% em seus investimentos até 2013, dos quais 91% a serem gastos no Brasil.
Serão perto de 100 milhões de dólares por dia, durante cinco anos, a serem aplicados em exploração e produção, no aumento da capacidade e qualidade do refino e no desenvolvimento das importantes descobertas das jazidas do pré-sal, que podem nos levar à condição de exportadores de petróleo.
Nas crises mundiais do passado, o Brasil sempre esteve em desvantagem e sofreu mais prejuízos do que os outros países. Desta vez, a economia brasileira conta com fundamentos sólidos, que pela primeira vez nos colocam em posição relativa vantajosa. Se acelerarmos os investimentos com inflação controlada, sairemos na frente e melhor.
Não podemos deixar que interesses políticos venham frustrar esta possibilidade real de melhoria. Esperamos que a CPI da Petrobras se concentre nos tópicos de real interesse para a sociedade brasileira, sem travar os projetos, permitindo ao país aproveitar esta oportunidade histórica. E desejamos que o TCU venha a desempenhar seu trabalho de forma a divulgar para a sociedade, apenas os fatos com conclusões definitivas.
Qualquer empresa controlada pelo poder público deve estar sujeita à fiscalização da sociedade, porem, a divulgação pela imprensa de suposições ou opiniões pessoais, como tem ocorrido, vem denegrir a imagem da Petrobras, principal empresa brasileira, mas também vem para a opinião pública condenar, sem julgamento, importantes empresas da engenharia nacional. O resultado é o adiamento dos projetos, que traz graves repercussões negativas no setor da engenharia industrial brasileira, especialmente nos segmentos que se preparam para trabalhar no desenvolvimento da exploração e produção das jazidas do pré-sal.
O adiamento dos projetos vai também atrasar a saída da crise que nos afeta e, mais uma vez, adiar a oportunidade e o sonho de melhorarmos o país.
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