Os dois principais partidos da base governista já se digladiam por causa da partilha do pré-sal. O líder do PT, Cândido Vaccarezza (SP), quer indicar o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci (PT-SP) para relatar o projeto de partilha do pré-sal na comissão especial que discutirá o novo marco regulatório do petróleo. O líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), porém, pretende assumir a tarefa pessoalmente. Está sob forte pressão dos governadores do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, e do Espírito Santo, Paulo Hartung, caciques da legenda.
Como tem a maior bancada, Alves já avisou que não abre mão da relatoria. Caberia ao PT a relatar o Fundo Social, outro projeto que permite a formação de comissão especial, porque precisaria tramitar em pelo menos quatro comissões permanentes da Câmara. Nesse caso, o relator seria o ex-presidente da Câmara Arlindo Chinaglia (PT-SP). Vaccareza quer formar mais duas comissões especiais, uma para a criação da Petro-Sal e outra para a capitalização da Petrobras. Alves prefere a tramitação normal nas comissões permanentes, entre as quais a de Constituição e Justiça e de Minas e Energia, que são terrenos minados para o governo.
Cerco
Começou o ataque aos estados produtores de petróleo. O deputado Júlio César (DEM-PI) mobiliza deputados do Nordeste para apoiarem uma emenda ao marco regulatório do pré-sal que institui como critério de rateio dos royalties os percentuais previstos no Fundo de Participação dos Estados (FPE). Pela norma, o Nordeste teria direito a 52% do bolo. Rio de Janeiro teria apenas 1,7% do total; e São Paulo, 1% . Já Piauí, de Júlio César, receberia 4,5%.
Ativo
Preocupado com os rumos da votação do marco regulatório do pré-sal, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), enviou ontem telegramas aos gabinetes dos 46 deputados. Estão todos convocados para uma reunião no Palácio das Laranjeiras, na próxima segunda-feira, em pleno 7 de Setembro. O deputado Fernando Gabeira, candidato do PV a governador fluminense, vai ao encontro, mas avalia que é figuração. Segundo ele, Cabral já jogou a toalha.
Popular
O presidente Lula nunca gostou do nome, mas mesmo assim o projeto de lei enviado ao Congresso Nacionalbatiza a nova estatal do petróleo de Petro-Sal. Pela nova ortografia, deveria ser Petrossal, mas Lula ficou invocado por causa da alusão da oposição sáurios pré-históricos. Pesquisas mostram que o nome agradou
Solo
Comitiva de senadores foi montada ontem para representar o Senado no funeral do ministro Carlos Alberto Menezes Direito. Um avião foi pedido à FAB para transportar os parlamentares mas, como o presidente José Sarney (PMDB-AP), que tem direito a utilizar uma aeronave, não estava no grupo, nada feito. Viajaram de avião de carreira.
NO CAFEZINHO
Submarinos/ A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado aprovou ontem o empréstimo de R$ 19 bilhões para a compra da família de submarino franceses e construção da primeira embarcação nuclear brasileira. Sob forte lobby do ministro da Defesa, Nelson Jobim, a autorização do aporte passou no colegiado sem pedidos de vista ou contestações. O acordo precisa ser aprovado no plenário da Casa, até quinta-feira, para ser assinado por Lula e presidente da França, Nicolas Sarkozy, nas comemorações do 7 de Setembro.
Gana/Não há previsão orçamentária para ressarcir os estados brasileiros dos R$ 5,2 bilhões que a União deixar de transferir nos últimos anos, adverte o líder da Minoria, Otácvio leite (PSDB-RJ). O governo federal está no fundo se apropriando de recursos alheios".
Livros/ Dois lançamentos hoje: "Despesa pública e corrupção no Brasil, do promotor Ruszel Cavalcanti (Fundação Astrojildo Pereira), às 18 horas, na biblioteca do Senado, e "Arouca, meu irmão" ( Fundação Carlos Chagas Filho), do médico sanitarista Guilherme Franco Neto e da antropóloga Regina Abreu, às 17 h, no salão nobre da Câmara dos Deputados.
Candidato/ O senador Gim Argello, presidente do PTB-DF, anuncia que o partido terá candidato ao todos os cargos nas eleições de 2010 em Brasília. Vice-líder do governo, pretende usar o horário de tevê da legenda para proclamar a própria candidatura a governador.
Arrependido/ Em entrevista ao programa "3 a 1" da TV Brasil, que vai ar hoje, às 22h, o presidente do Senado, José Sarney, do PMDB-AP, anunciou que pretende reduzir de 41 para sete as diretorias do Senado. Já foram 180. O ex-presidente República falou da crise do Senado e admitiu que errou ao aceitar ser candidato a presidente da Casa. "Não considerei a disputa política pela sucessão do presidente Lula", afirmou.
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Edição de quarta-feira, 2 de setembro de 2009
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