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Cremern interdita o Samu
Oitenta atendimentos diários deixam de ser feitos enquanto número de médicos no serviço não aumentar
Carlos Eduardo Araújo // carloseduardo.rn@diariosassociados.com.br
Cerca de 80 atendimentos diários do Samu deixaram de ser feitos desde ontem, quando o Conselho Regional de Medicina (Cremern) fez uma interdição no serviço. A entidade alega que não há médicos o suficiente, o que é considerado irregular de acordo com uma portaria do Ministério da Saúde. Com isso, as cerca de 15 ambulâncias estão paradas e sete cidades - Parnamirim, Macaíba, Monte Alegre, Extremoz, São José do Mipibú, São Gonçalo do Amarante e Nísia Floresta - estão sendo prejudicadas. Não há previsão para retomada das atividades.
Profissionais estarão cometendo crime se atenderem ocorrências, diz conselho Foto: Ovídio Carvalho/ON/D.A Press
Com a medida, as 15 ambulâncias utilizadas pelo serviço estão paradas desde ontem e não poderão ser utilizadas até que a situação seja regularizada. De acordo com o presidente do Cremern em exercício, Marcos Jácome, socorristas, enfermeiros e técnicos não podem atender ocorrências. "Se isso for feito, será crime", alerta. "O que pode haver é algum hospital maior, como o de Parnamirim, solicitar provisoriamente uma das ambulâncias numa necessidade".
Segundo Jácome, a medida é amparada pela a portaria 2048 do Ministério da Saúde, segundo a qual, em cada plantão, deve haver pelo menos três médicos. Ele afirma que isso não estava acontecendo e, devido à escassez de profissionais, o conselho vinha recebendo reclamações todos os dias. "É uma falta de responsabilidade do Estado em relação ao serviço, que é tido como de suma importância. Além disso, a quantidade de médicos existentes hoje, apenas 14, não é suficiente".
O representante do Cremern disse ainda que "a tendência é que a situação piore ainda mais". Ele esclarece que, no fim deste mês, três médicos devem deixar o serviço e, até o final do ano, mais seis farão o mesmo, o que deixará o serviço com apenas seis profissionais. "Desde que foi criado, há cerca de três anos, o Samu recebe promessas de melhorias mas sem ações efetivas. A verdade é que a secretaria (estadual de Saúde) não dá a importância adequada ao serviço". Questionado sobre o prejuízo à população, Jácome respondeu que a interdição foi feita como forma de exigir que os gestores cumpram a portaria do MS.
Aassessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Saúde informou que o secretário George Antunes ainda não havia recebido o comunicado até o início da noite de ontem e só hoje deve se pronunciar.
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