Hospital sofre impacto da falta de pediatras na rede municipal. Demanda pode ser reduzida por expansão no Sandra Celeste
Sem pediatras nos plantões das unidades de pronto atendimento da rede municipal por falta de profissionais, o Hospital Infantil Maria Alice Fernandes (HMAF) está sobrecarregado. A nova unidade do Sandra Celeste, planejada para ser referência no atendimento pediátrico ambulatorial e no pronto atendimento infantil, será aberta na próxima terça-feira.
Lana Brasil diz que unidade faz, por dia, até 50 atendimentos a mais que o normal Foto: Joana lima/DN/Arquivo D.A Press
A diretora do HMAF, Lana Brasil, afirma que a demanda vinda da rede básica para o hospital já é bastante alta e que o fechamento de serviços na rede municipal aumenta a sobrecarga. O hospital tem registrado uma média diária de 200 a 250 atendimentos, enquanto o normal fica entre 180 a 200 atendimentos. "Somente de 1º de setembro até agora foram 900 atendimentos". Em abril, nove mil atendimentos. O HMAF tem três pediatras por turno de plantão de 12 horas. Ao todo, a equipe é composta de 20 pediatras. Segundo a diretora, todos os pacientes estão sendo atendidos. "A sobrecarga gera um grande desconforto para o paciente. São longas esperas, até duas ou três horas".
Lana Brasil ressalta que até 70% dos pacientes deveriam estar na rede básica. "São casos de tratamento ambulatorial, da classificação azul e verde. Patologias simples que deveriam ser atendidas na rede porque não há gravidade, risco de vida, febre ou desidratação. Elas precisam de um atendimento, mas não de urgência".
A expectativa da diretora é que a abertura do Sandra Celeste diminua a demanda pelo HMAF, que além dos pacientes vindos da capital, tem grande demanda dos municípios de São Gonçalo do Amarante, Ceará Mirim e Extremoz. Ela aponta que a ausência de pediatras nas equipes de PSF são um agravante para a falta de pediatras nos postos de saúde. "A assistência pediátrica na ponta está bastante carente. O PSF não tem pediatras e o médico que atende a família não tem a habilidade necessária para atender essa criança".
Escala
De acordo com a gerente do distrito Oeste, área de abrangência do Sandra Celeste, Valéria Araújo, a escala de plantões da nova unidade foi fechada a partir do remanejamento dos pediatras que atendiam no Hospital dos Pescadores (nas Rocas), que passa por uma interdição do Conselho de Medicina do Rio Grande do Norte pela falta de profissionais de plantão. "Com o fechamento brusco do Hospital dos Pescadores, em razão de decisão, a secretária decidiu remanejar os pediatras daquela unidade para o Sandra Celeste". O hospital dispunha de cinco pediatras.
A ideia da secretária municipal de saúde Ana Tânia Sampaio é transformar o novo Sandra Celeste na unidade referência. A promessa é de uma unidade com equipe completa. Localizada na Avenida Jaguarari, próximo à Avenida Capitão-Mor Gouveia, o prédio alugado de dois andares foi totalmente adaptado para receber a unidade. O espaço tem enfermarias, clínicas médicas, ambulatório, farmácia, fraudários, cozinha, refeitório e repouso médico.
Sobre a falta de pediatras nas unidades de pronto atendimento, Valéria Araújo comenta haver escassez generalizada de profissionais dessa especialidade. "São poucas as unidades que têm pediatras e eles não estão no pronto atendimento, mas sim no ambulatório. Isso é feito para cobrir uma demanda aberta nas unidades de saúde, porque apesar de haver um local de referência, as pessoas não deixam de procurar o posto de saúde do seu bairro. Além disso, supre a carência de equipe dos Programa de Saúde da Família (PSF) que ainda tem várias equipes incompletas".
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Edição de sábado, 5 de setembro de 2009
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