Ele é um dos primeiros a chegar na sala de aula. Quando encontra os colegas, parece uma festa, todos querem lhe abraçar. A dificuldade de concentração lhe deixa inquieto, ele pronuncia poucas palavras sequenciais e, às vezes, falta noção de espaço, esbarrando nas paredes quando sai correndo. Mas depois que chegou à escola já é perceptível a facilidade de aprender. De acordo com a professora Ivanilda Bezerra Soares, ele já consegue identificar os números, as letras e pronunciar palavras com precisão. Adora brincar no computador e, aos poucos, está se livrando da fralda.
Erielson, de oito anos, estuda na Escola Municipal José Frazão, no Vale Dourado Foto: Lima/DN/D.A Press
Erielson Salvador, oito anos, tem múltiplas deficiências e faz parte de um grupo de 27 alunos com necessidades especiais do programa de inclusão da Escola Municipal José Frazão, no Vale Dourado, Zona Norte. "É gratificante ver que como a inclusão está ajudando a Erielson e é prazeroso ver como os especiais conquistam a atenção e carinho dos coleguinhas que brincam com eles, dãocomida e guiam a cadeira de rodas", comemora a professora Ioneide Cristina Reis.
A escola é exemplo de que a inclusão é realidade em Natal, apesar das dificuldades no setor público, como falta de especialização e treinamento para os professores. Na sala da José Frazão há três computadores com programas específicos para diversos tipos de necessidades especiais. A professora Ioneide, que trabalha no apoio aos alunos uma vez por semana, passou por treinamento de 180 horas, há dois anos. "Sinto necessidade de novos cursos e troca de experiência com outros professores".
Pólos
Com o objetivo de organizar melhor a formação dos alunos especiais em sala de aula, a Secretaria Municipal de Educação vai implantar a matrícula antecipada e a criação de escolas pólos para agrupar alunos com surdez. A criação dos pólos, que pode até parecer a antítese da inclusão, segundo a coordenadora do setor de Educação Especial da SME, Luzia de Fátima Medeiros de Oiveira, é devido à carência de profesores especializados na linguagem dos sinais e à necessidade de os alunos com deficiência auditiva de comunicação e aprendizagem visual".
A cidade de Natal foi uma das pioneiras na inclusão, tanto na rede pública quanto particular. A inclusão nas escolas da cidade aconteceu desde o coemço da década de 90 com o Programa de Municipalização da Educação Especial, através de um grupo de profissionais-educadores especializados na implantação de escolas inclusivas. A Assessoria de Educação Especial desenvolve programas, projetos e ações para implementação da Política Nacional de Educação Especial. Atualmente, segundo dados da SME, a rede municipal acolhe 482 alunos com necessidades especiais, tanto em escolas como em Centros de Educação Infantil (CMEIs), além de 293 alunos em observação. O município mantém sete salas de AEE (Atenção à Educação Especial) funcionando nos dois turnos, desde 2004 e, até o final de 2009 serão implantadas mais 13 salas.
Rede privada
No setor privado, há avanços na inclusão, com a contratação de profissionais especializados e melhorias na acessibilidade. O Instituto Maria Auxiliadora, que faz a inclusão há três anos, além de proporcionar a acessibilidade aos alunos, instalou um elevador para o acesso dos cadeirantes.
O aluno 5º ano Davi Diniz, 15, é exemplo de sucesso de inclusão de alunos com dificuldades múltiplas. A professora Francisca Suzana Macena disse que ele a cada dia apresenta melhoras significativas devido à socialização. "Ele já não escreve mais tão lento, os alunos brigam para guiar a cadeira de rodas dele e a melhora dele foi tão acentuada que na festa junina, foi o padre da quadrilha. E não faltaram meninas para pegar na mão dele e dançar".
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Edição de sábado, 5 de setembro de 2009
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