Magistrado considera que haveria suspeição no testemunho de Gilka da Mata
Octávio Santiago Especial para o Diário de Natal
Mesmo tendo sido arrolada pela defesa do ex-vereador Sid Fonseca (PR), que está entre os 21 acusados de participar de um esquema de corrupção na Câmara Municipal de Natal, a promotora do Meio Ambiente Gilka da Mata foi excluída do rol de testemunhas, ontem, pelo juiz Raimundo Carlyle, à frente do caso, após intervenção dos demais advogados. Fundamentada na suspeição de parcialidade, já que, duas das três emendas polêmicas ao Plano Diretor da cidade foram derrubadas por meio de ação de sua autoria, a decisão, na visão dela, "impede a contribuição de alguém que em muito poderia ajudar".
Juiz Raimundo Carlyle (centro) comanda os interrogatórios do processo Foto: Carlos Santos /DN/D.A Press
Representantes jurídicos de sete acusados, os advogados Armando Holanda, Felipe Cortez e Leonardo Palitot comungaram da mesma opinião no tocante à obstrução ao depoimento da promotora. De acordo com as alegações deles, Gilka tem um interesse específico quanto ao desdobramento do processo, uma vez que, no Ministério Público, age em pró das questões ambientais. Argumentos aceitospelo magistrado, configurando o segundo impedimento durante a audiência, ambos para testemunhas que deveriam depor a favor de Sid. O primeiro foi para o ex-presidente da OAB/RN, Joanilson Rêgo.
Segundo o advogado e irmão do acusado, Genason Fonseca, a defesa de Sid perde, mas não é desconstruída com a ausência do testemunho da promotora. "Ele procurou Gilka várias vezes para saber o que a instituição pensava sobre o assunto e votou na Câmara consoante as opiniões dela", disse Genason. Sobre os motivos que fizeram de Sid um dos acusados, o advogado citou uma conversa telefônica travada entre o seu irmão e o vereador Adão Eridan (PR) na qual Sid Fonseca afirma que vai encontrar um meio para compensar o voto contrário dele em plenário.
Paralelamente, a defesa do ex-vereador vai trabalhar para a convocação do delegado Júlio Rocha, responsável pelo inquérito da Impacto. A ideia é levá-lo para depor como substituto de Joanilson Rêgo, mas Carlyle já se manifestou contrário a proposta, alegando que o delegado já relatou o que considerou importante no inquérito. Marcado para ontem, o testemunho do ex-prefeito Carlos Eduardo Alves (PDT) recebeu uma nova data em razão de um compromisso firmado em Recife, adiando o seu depoimento para as 9h do dia 17 de setembro. Os acusados serão ouvidos em seguida.
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Edição de sábado, 5 de setembro de 2009
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